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Apenas 16% das lideranças no setor da energia e ambiente em Portugal são ocupadas por mulheres
Estudo da Informa D&B mostra que a presença feminina nas chefias destas áreas continua entre as mais baixas da economia, apenas acima dos setores da banca e seguros e da construção, onde a percentagem é de 13%.
08 Mar 2026 - 09:08
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A presença feminina nas lideranças do setor da energia e ambiente em Portugal continua a ser reduzida, com apenas 16% dos cargos de liderança ocupados por mulheres, segundo a 16ª edição do estudo “Presença Feminina nas Empresas em Portugal”, da Informa D&B.
O setor surge entre os que registam menor representação feminina nas posições de topo, ficando apenas acima da banca e seguros e da construção, ambos com 13% de mulheres em cargos de liderança. Nos cargos de gestão ligados à energia e ao ambiente, a presença feminina sobe ligeiramente para 18%, enquanto no emprego global destas áreas as mulheres representam 24% dos trabalhadores.
O estudo mostra que o desequilíbrio de género nas posições de decisão é transversal à economia portuguesa. Em nenhum setor de atividade as mulheres atingem os 50% de representação em cargos de gestão ou de liderança.
No campo da agricultura e dos recursos naturais, os níveis de presença feminina são ligeiramente superiores. Neste setor, as mulheres ocupam 23% dos cargos de liderança e 27% dos cargos de gestão, representando 25% do emprego total.
Entre os setores analisados, os serviços gerais são os que apresentam maior aproximação à paridade. As mulheres representam 43% das lideranças e mais de dois terços do emprego (69%). Ainda assim, o setor não atinge os 50% de representação feminina nos cargos de decisão.
Em alguns subsetores dos serviços gerais, sobretudo nas atividades relacionadas com saúde, bem-estar, moda e educação, a presença feminina nas chefias está ainda mais próxima da paridade, sendo também áreas onde o emprego é maioritariamente feminino.

Imagem: Informa D&B
Presença limitada nos ‘boards’ portugueses
A nível global das empresas portuguesas, a presença feminina nos cargos de topo continua limitada. Apenas 30% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres e só 27% das empresas são lideradas por mulheres. Nos cargos de direção geral, a percentagem desce para 17%.
O maior desequilíbrio quanto ao género verifica-se nas maiores empresas. Apesar de estas registarem 48% de mulheres entre os seus trabalhadores, apenas 20% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres e apenas 12% das posições de liderança estão nas suas mãos.
“Este desequilíbrio contrasta tanto com os números da população ativa, onde 49% são mulheres, como com os números do emprego, em que as mulheres representam 42% do total, como também com a percentagem de mulheres com ensino superior, que é maior que a dos homens”, afirma Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B.
O estudo indica ainda que as maiores percentagens de mulheres em funções de direção se encontram nas áreas de recursos humanos e de qualidade, ambas com mais de 50% de presença feminina. Em sentido oposto, a direção de sistemas de informação apresenta a menor participação de mulheres, com apenas 11%.
A evolução para uma maior paridade nas empresas tem sido lenta, embora algumas medidas legais tenham contribuído para acelerar o processo. Desde 2018, existe em Portugal um regime que estabelece a representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de administração e fiscalização das empresas cotadas em bolsa e das entidades do setor público empresarial.
Como resultado, 82% das empresas cotadas e 84% das empresas do setor empresarial do Estado têm equipas de gestão mistas, enquanto no conjunto do tecido empresarial português essa realidade se verifica em apenas 55% das empresas.
Talento feminino qualificado chega pouco à liderança
Também a análise da Randstad Research sobre “o talento feminino no mercado de trabalho” vem confirmar esta tendência. A análise indica que as mulheres portuguesas detêm uma das maiores percentagens de capital humano qualificado da Europa (59,1%), apenas atrás da Estónia e Letónia, mas ocupam apenas 15,7% dos cargos de CEO e executivos nas maiores empresas.
O estudo mostra que o talento feminino está fortemente concentrado em setores de cuidados e serviços, dominando a saúde (16,5%) e a educação (12,9%), enquanto os homens se concentram na indústria (21,2%) e construção (12,6%).
O maior fosso salarial em Portugal encontra-se nas atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas, atingindo 48,5% a favor dos homens. No setor da saúde, o diferencial de rendimento médio mensal líquido situa-se nos 17,3%, correspondente a 205 euros de diferença entre homens e mulheres.
O estudo destaca ainda que a assimetria no trabalho a tempo parcial recai sobretudo sobre as mulheres. Elas representam 62,9% dos trabalhadores em part-time, com 8,5% a terem crianças no agregado familiar, valor que mais que duplica os 3,2% registados entre os homens.
“Estes dados comprovam que ainda existe um longo caminho a percorrer. Apesar de se ter feito um caminho próspero no Índice Global de Igualdade de Género e de termos uma fatia tão grande de talento altamente qualificado, a falha na progressão para lugares de topo, aliada à disparidade salarial e ao impacto dos cuidados familiares, deixa-nos o alerta de que a paridade real no mercado de trabalho ainda não se alcançou e que as empresas devem continuar a fazer um esforço por este caminho”, destaca Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.
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