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Aumento recorde de renováveis em 2025 redefine segurança energética mundial
Desde o início do conflito no Médio Oriente, a produção global de solar e eólica já evitou o equivalente a 330 TWh de geração a gás, ao representar uma poupança potencial superior a 40 mil milhões de dólares.
20 Mar 2026 - 14:38
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Foto: Adobe stock/InfiniteFlow
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O mundo instalou, em 2025, mais capacidade solar e eólica do que em qualquer outro ano da história. Foram 814 gigawatts (GW) adicionais, um aumento de 17% face a 2024, que elevam a capacidade total combinada destas duas fontes para mais de 4 terawatts. Os dados são do think tank energético Ember e confirmam que a eletricidade limpa está a crescer mais depressa do que qualquer outra forma de energia.
A energia solar domina de forma esmagadora. Em 2025, por cada GW de eólica instalado, foram acrescentados quase quatro de solar. No total, entraram em funcionamento 647 GW de solar, mais 11% do que no ano anterior, elevando a capacidade acumulada para perto dos 2.900 GW. A eólica, embora mais modesta em volume absoluto, acelerou a um ritmo intenso. Cresceu 47%, atingindo 167 GW instalados e cerca de 1.300 GW no total global.
A nova potência adicionada em 2025 tem capacidade para gerar cerca de 1.046 terawatts-hora (TWh) por ano, eletricidade suficiente para substituir mais de um sétimo da produção global a gás, revela a Ember. Traduzido em termos económicos, isto equivale a cerca de 138 mil milhões de dólares em custos de importação de gás evitados, aos preços atuais de mercado.
Num contexto internacional marcado por instabilidade energética e tensões geopolíticas, estes números ganham outra dimensão. Desde o início do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a produção global de solar e eólica já evitou o equivalente a 330 TWh de geração a gás, ao representar uma poupança potencial superior a 40 mil milhões de dólares. A eletricidade limpa começa assim a funcionar como amortecedor económico em cenários de crise energética.
“A dimensão e a rapidez da expansão da energia solar são como nada antes visto no setor energético. A par do aumento acelerado da capacidade eólica, estas tecnologias estão a caminho de se tornarem a espinha dorsal do abastecimento global de eletricidade”, refere Leonard Heberer. O analista de dados da Ember, citado em comunicado, explica: “À medida que ganham escala, vão reforçar a independência energética, reduzir a dependência de cadeias de abastecimento frágeis de combustíveis fósseis e ajudar a proteger os consumidores dos picos nos preços dos combustíveis fósseis provocados pela instabilidade geopolítica”.
Já em declarações aos jornalistas, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendia que é necessário apostar nas energias renováveis e garantir a soberania energética do bloco comunitários através de um aumento da produção interna. “O conflito atual no Irão mostra-nos uma vez mais que a melhor forma de ter um horizonte preditivo e confiável na energia é aumentar a produção própria de energia. É a única maneira de sermos autónomos, independentes, ou seja, de tornarmos seguro o nosso sistema de energia”, declarou à luz da reunião de líderes, que teve lugar em Bruxelas nesta quinta-feira.
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