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Crescimento do setor energético ameaçado por falta de profissionais qualificados

Agência Internacional de Energia revela que o emprego no setor cresce ao dobro do ritmo da economia global, mas a carência de talento pode atrasar projetos e aumentar custos. Eletricistas e engenheiros nucleares entre os profissionais mais procurados.

05 Dez 2025 - 09:28

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Foto: Freepik

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O emprego global no setor da energia está a crescer a um ritmo muito superior ao da economia mundial, mas a escassez de trabalhadores qualificados já ameaça comprometer novos projetos. A conclusão é do relatório ‘World Energy Employment 2025’, divulgado nesta sexta-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

O forte investimento em infraestruturas energéticas impulsionou um aumento de 2,2% do emprego no setor no último ano, quase o dobro do crescimento observado na economia global. Em 2024, o setor empregava 76 milhões de pessoas, mais 5 milhões do que em 2019, contribuindo para 2,4% de todos os novos postos de trabalho criados no mundo desde então.

O setor da eletricidade lidera a criação de empregos, representando três quartos do crescimento recente do emprego, sendo agora o maior empregador no setor energético, ultrapassando o abastecimento de combustíveis. A energia solar fotovoltaica é um motor chave do crescimento, complementada pela rápida expansão da contratação em energia nuclear, redes e armazenamento.

A crescente eletrificação de outros setores da economia também está a transformar as tendências de emprego, com os empregos na produção de veículos elétricos e baterias a dispararem, quase 800.000 em 2024.

O emprego nos combustíveis fósseis manteve-se resiliente em 2024. Os empregos no carvão recuperaram na Índia, China e Indonésia, levando o emprego na indústria do carvão 8% acima dos níveis de 2019, apesar das quedas acentuadas nas economias avançadas. A indústria do petróleo e gás também recuperou a maior parte dos empregos perdidos em 2020, embora os baixos preços e as incertezas económicas tenham levado a cortes de empregos em 2025.

Para 2025, a AIE antecipa uma desaceleração do crescimento do emprego para 1,3%, refletindo mercados de trabalho pressionados e tensões comerciais e geopolíticas que tornam as empresas mais prudentes na contratação.

Falta mão-de-obra qualificada

O relatório destaca, porém, um risco crescente: a falta de mão-de-obra qualificada. Mais de metade das 700 empresas, sindicatos e instituições de formação inquiridas reportou dificuldades críticas de contratação, capazes de atrasar obras, empurrar projetos para mais tarde e aumentar custos. Profissões técnicas, como eletricistas, canalizadores, operadores de linha, operadores de centrais e engenheiros nucleares, estão entre as mais procuradas. Estas funções somaram 2,5 milhões de novos postos desde 2019 e representam agora mais de metade da força de trabalho do setor energético.

“Energia tem sido um dos motores mais fortes e consistentes de criação de empregos na economia global, durante um período marcado por grandes incertezas”, refere Fatih Birol, diretor executivo da AIE. “Mas este ímpeto não pode ser dado como garantido. A capacidade do mundo de construir a infraestrutura energética necessária depende de ter trabalhadores qualificados em número suficiente. Governos, indústria e instituições de formação devem unir-se para colmatar a lacuna de competências. Se não for resolvido, estas carências poderão atrasar o progresso, aumentar os custos e enfraquecer a segurança energética”, acrescenta em comunicado.

A pressão é agravada pelo envelhecimento dos trabalhadores, sobretudo nas economias avançadas: por cada novo profissional com menos de 25 anos, há 2,4 prestes a reformar-se. A energia nuclear e as redes elétricas enfrentam os maiores desequilíbrios demográficos.

Para evitar o agravamento da escassez até 2030, seria necessário aumentar em 40% o número de novos trabalhadores qualificados. A AIE estima que isso exigiria um investimento adicional de 2,6 mil milhões de dólares por ano — menos de 0,1% da despesa global em educação.

Medidas políticas podem fazer uma grande diferença. Segundo o relatório da AIE, as principais barreiras que impedem a entrada das pessoas em formação relacionada com a energia incluem custos, salários não auferidos e falta de conhecimento sobre os programas disponíveis. Ferramentas políticas eficazes incluem incentivos financeiros direcionados aos formandos, expansão de programas de aprendizagem, maior envolvimento do setor privado no design de currículos e investimento em instalações de formação.

A requalificação dentro do próprio setor energético também é essencial. Algumas regiões já enfrentam declínios no emprego em combustíveis fósseis, mas a formação direcionada pode ajudar os trabalhadores a transferir-se para outras áreas do sistema energético em crescimento.

 

 

 

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