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Danos nas florestas europeias podem aumentar 20% até 2100 mesmo com aquecimento limitado a 2°C
Sul da Europa e região mediterrânica entre as áreas mais afetadas por incêndios, pragas e tempestades. Analistas alertam que as florestas europeias deverão absorver menos carbono e impactar ainda mais a redução de emissões.
06 Mar 2026 - 15:02
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Foto: Copernicus
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Foto: Copernicus
Os danos nas florestas europeias provocados por incêndios, tempestades e pragas deverão aumentar cerca de 20% até ao final do século, mesmo num cenário em que o aquecimento global seja limitado a cerca de 2°C, segundo um estudo internacional publicado na revista científica Science.
A investigação, que contou com contributos do Instituto Potsdam para a Investigação sobre o Impacto das Alterações Climáticas (PIK), na Alemanha, projeta que a área florestal afetada anualmente na Europa possa passar de cerca de 180 mil hectares por ano, registados entre 1986 e 2020, para cerca de 216 mil hectares até 2100.
Num cenário mais adverso, em que o consumo de combustíveis fósseis continue a aumentar, os danos poderão mais do que duplicar, atingindo quase 370 mil hectares de floresta perturbada por ano até ao final do século.
“No futuro, as florestas europeias deverão absorver menos carbono”, afirma Christopher Reyer, cientista do PIK e coautor do estudo. “Se as florestas captarem menos carbono, ou até libertarem mais do que absorvem, aumenta a pressão sobre outros setores, como transportes e agricultura, para reduzirem as suas emissões mais rapidamente.”
Segundo os investigadores, o sul e o oeste da Europa deverão ser particularmente afetados, registando as maiores alterações nos padrões de perturbação florestal. A região mediterrânica destaca-se sobretudo pela maior exposição a incêndios, que o estudo identifica como o principal fator de mortalidade de árvores no futuro.
O norte da Europa deverá sofrer impactos menos severos em termos gerais, embora também se prevejam zonas específicas com aumento significativo de danos florestais.
O estudo, liderado por investigadores da Universidade Técnica de Munique, conclui ainda que estas mudanças poderão alterar de forma relevante a estrutura das florestas europeias. A proporção de florestas jovens poderá aumentar até 14%, enquanto a área de florestas mais antigas tende a diminuir.
Além de potenciais impactos na biodiversidade, os investigadores alertam que a redução da capacidade das florestas para armazenar carbono poderá dificultar o uso destes ecossistemas como solução natural para mitigar as alterações climáticas.
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