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Energias renováveis em segundo plano num encontro sobre energia em África
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo estimou na semana passada que o consumo de petróleo e gás natural em África deverá duplicar até 2050.
19 Out 2026 - 18:02
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A consultora Oxford Economics considerou nesta segunda-feira que a reunião da semana passada sobre o sistema energético africano deixou as energias renováveis em segundo plano, mostrando que as empresas querem explorar o petróleo do continente até ao fim.
“Os países africanos e os investidores estão a agir para tirar o máximo partido de uma janela de oportunidade cada vez mais estreita no setor dos hidrocarbonetos”, concluem os analistas do departamento africano desta consultora britânica interpretando a constatação de que “as energias renováveis ficaram em segundo plano”.
Numa análise ao encontro sobre energia em África, que decorreu na semana passada na Cidade do Cabo, a Oxford Economics escreve que “os projetos de hidrocarbonetos continuarão a beneficiar de uma transição mais lenta para as energias renováveis em África e no resto do Sul global”.
Esta ideia, acrescentam, é ainda mais comprovada porque “os projetos de produção e refinação de petróleo se tornaram muito mais aliciantes, dado o aumento dos preços globais do petróleo”.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estimou na semana passada que o consumo de petróleo e gás natural em África deverá duplicar até 2050 e também as energias renováveis deverão registar um forte crescimento.
Ao discursar na Semana de Energia Africana 2026, na Cidade do Cabo, na África do Sul, o diretor do departamento de estudos energéticos da OPEP, Abderrezak Benyoucef, citado em nota de imprensa, afirmou que a procura de energia em África deverá crescer em todos os setores atuais – petróleo, gás natural e energias renováveis – até 2050.
Concretamente, segundo dados referidos por Benyoucef, “a procura africana de petróleo deverá passar de 4,9 milhões de barris por dia em 2025 para 9,2 milhões de barris por dia até 2050”.
Para a Oxford Economics, o tom geral das intervenções na conferência mostra que “África está a ser cada vez mais vista como a última fronteira dos combustíveis fósseis, com os líderes africanos a trabalharem para maximizar os seus recursos de combustíveis fósseis e melhorar o acesso à energia”.
Apesar do otimismo dos investidores, os governos africanos têm também trabalho de casa para fazer, nomeadamente no que diz respeito não só às salvaguardas ambientais, mas também no financiamento da componente local dos projetos de exploração energéticos.
“Os países terão de fazer um equilíbrio difícil entre impulsionar o desenvolvimento económico e salvaguardar o ambiente; por enquanto, o primeiro parece manter a liderança”, afirmam os analistas da Oxford Economics.
Apesar dos investimentos em curso, África precisará de pelo menos 125 mil milhões de dólares (cerca de 111,6 mil milhões de euros) em investimentos na refinação de crude até 2050, abrangendo projetos atuais, futuros e de manutenção num continente que deverá aumentar a capacidade de refinação de crude para 7,9 milhões de barris por dia até 2050, com a taxa de utilização a subir dos atuais 55% para cerca de 80%, próxima da média global, segundo a OPEP.
África detém reservas comprovadas de petróleo bruto estimadas em 120 mil milhões de barris e 18 biliões de metros cúbicos de gás natural, segundo as estimativas da OPEP.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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