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Mulheres representam 32% da força de trabalho nas energias renováveis
Agência Internacional de Energias Renováveis revela que a maior disparidade se verifica nos cargos de liderança sénior, onde as mulheres representam apenas 19% dos cargos.
08 Out 2025 - 11:23
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As mulheres ocupam 32% dos empregos a tempo inteiro no setor das energias renováveis. Embora este valor seja superior ao registado noutros setores energéticos, a percentagem manteve-se inalterada desde a primeira análise de género realizada pela Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), em 2019, confirmando que não houve progressos significativos na representação das mulheres ao longo dos anos.
Esta segunda edição de ‘Energias Renováveis: Uma Perspetiva de Género’ revela que a maior disparidade se verifica nos cargos de liderança sénior, onde as mulheres representam apenas 19% dos cargos.
A sua presença é significativamente mais elevada em funções administrativas, onde constituem 45% da força de trabalho. A sua participação desce para 28% em cargos relacionados com ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). É mais baixa (22%) nas profissões técnicas, como instaladoras, operadoras de máquinas, eletricistas e trabalhadoras da construção civil, áreas que normalmente exigem certificações técnicas, formação profissional ou estágios, conclui a análise da IRENA.
“O avanço da igualdade de género no setor das energias renováveis depende de dados sólidos, políticas direcionadas e da colaboração ativa de todas as partes interessadas. A nossa análise é única ao preencher esta lacuna de conhecimento. Infelizmente, apesar de o setor apresentar melhores resultados do que as indústrias de combustíveis fósseis, os progressos têm sido reduzidos. Ainda há muito trabalho a fazer”, refere Francesco La Camera, diretor-geral da IRENA. Acrescentando que para concretizar plenamente o potencial da transição energética, “as mulheres devem ser reconhecidas como parceiras e líderes em pé de igualdade na construção de um futuro baseado nas energias renováveis”.
A agência refere que a falta de equilíbrio de género no setor resulta de barreiras sistémicas que persistem em todas as fases do desenvolvimento profissional. E enumera que as mulheres continuam a enfrentar preconceitos e estereótipos culturais ao ingressarem no mercado de trabalho; lidam com desafios crescentes para conciliar responsabilidades profissionais e familiares ao longo das suas carreiras; e deparam-se com práticas discriminatórias e “tetos de vidro” que dificultam o acesso a cargos de liderança.
O estudo revela igualmente disparidades entre diferentes tipos de organização. As empresas privadas, que dominam o setor das energias renováveis, registam os níveis mais baixos de participação feminina, com apenas 25%. Em comparação, as organizações não governamentais apresentam quase 48% de representação feminina, enquanto as instituições governamentais e não comerciais registam 37%.
O relatório apela, por isso, à adoção de medidas eficazes para colmatar a falta persistente de progresso e alerta que, sem uma maior igualdade de género, a transição energética não será justa nem sustentável, correndo-se o risco de escassez de mão de obra e de ausência de perspetivas diversificadas.
Os analistas defendem a implementação de estratégias tanto de cima para baixo como de baixo para cima, bem como de iniciativas transversais para superar as barreiras existentes. “Os governos devem aplicar leis sobre não discriminação, igualdade salarial e acesso à educação, integrando simultaneamente a igualdade de género nas políticas climáticas e energéticas”, desta a IRENA.
Quanto aos empregadores, defende que “devem adotar medidas como horários de trabalho flexíveis, processos transparentes de recrutamento e promoção, oportunidades de mentoria e ambientes de trabalho seguros e respeitadores”.
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