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O que revela a evolução do Chief Sustainability Officer sobre o topo da carreira em sustentabilidade?
O novo relatório do World Economic Forum aponta para uma reconfiguração do topo da carreira em sustentabilidade, à medida que a função de Chief Sustainability Officer passa a exigir maior integração, influência transversal e capacidade de execução. Por Gabriela Maciel, Project Manager da GREEN GEN | Escola de Sustentabilidade.
12 Out 2026 - 06:59
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Gabriela Maciel project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
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Gabriela Maciel project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade
A sustentabilidade tem vindo a afirmar-se nas organizações através da sua expansão, refletindo mais regulação, reporte, métricas, especialização e equipas. O Chief Sustainability Officers’ Outlook, publicado pela primeira vez pelo World Economic Forum em setembro de 2026, sugere que esse crescimento continua relevante, embora hoje acompanhado por uma exigência acrescida de integração nas decisões correntes das organizações, num contexto de maior fricção política, geopolítica e económica. Entre os Chief Sustainability Officers (CSO) inquiridos, 63% espera que o progresso global se mantenha estável ou acelere no próximo ano e três quartos antecipa que o investimento empresarial associado à transição também se mantenha ou aumente, ainda que 78% reconheça o peso das condições macroeconómicas e geopolíticas, 68% aponte a incerteza regulatória como travão relevante e 61% sublinhe a pressão por resultados de curto prazo. Neste enquadramento, a senioridade em sustentabilidade tende a ser cada vez mais lida pela capacidade de sustentar coerência, prioridade e execução em ambientes organizacionais cada vez mais exigentes e complexos.
O CSO responde cada vez mais pela execução
Uma das contribuições mais fortes do relatório está na forma como descreve a maturação do cargo. O World Economic Forum observa que a sustentabilidade continua presente nas prioridades empresariais, embora o centro de gravidade se desloque das metas para a execução. A função de Chief Sustainability Officer passa, assim, a ser observada menos como guardiã de uma agenda e mais como eixo estruturante de decisões que incidem sobre investimento, operações, risco, procurement, tecnologia e desempenho.
O retrato interno das empresas é revelador. Cerca de 65% dos respondentes assume que a sustentabilidade continua a ser vista sobretudo através de uma lente de compliance; mas ao mesmo tempo, 41% afirma que já é entendida como fonte de crescimento ou de criação de valor. Entre estas duas leituras instala-se um espaço profissional particularmente exigente, onde a senioridade depende não apenas do domínio técnico, mas da capacidade de assegurar que a sustentabilidade se traduza em prioridades de gestão, mesmo num terreno onde coexistem dever regulatório, pressão financeira, risco físico e expectativas reputacionais.
IA, adaptação climática e os novos trade-offs da sustentabilidade
Os aceleradores de progresso identificados pelo relatório ajudam a perceber porque se transforma o topo da carreira. Para os próximos três anos, os fatores mais relevantes assinalados passam pela apresentação de um business case mais forte, referido por 64% dos inquiridos, e tecnologias sustentáveis mais acessíveis, em matéria de custos e disponibilidade, apontadas por 56%. Estes dados não eliminam a dimensão ética da sustentabilidade, mas demonstram que o valor desta área está a ser testado cada vez mais perto dos mecanismos que validam escolhas e distribuem recursos.
Os capítulos dedicados à inteligência artificial e à adaptação climática tornam esta mudança ainda mais concreta. Quase três quartos dos CSOs esperam que a IA e outras tecnologias digitais apoiem o progresso em sustentabilidade, sobretudo através de modelação e previsão de riscos, eficiência na utilização de recursos, medição e reporte. No entanto, 77% identifica a intensidade energética e recursos da infraestrutura de IA como principal impacto negativo. A senioridade nesta área passa a incluir, por isso, uma gestão cada vez mais exigente de trade-offs, articulando ganhos operacionais, custos ambientais, governação dos dados e implicações de longo prazo, num contexto em que respostas simplificadas se tornam rapidamente insuficientes.
A adaptação climática reforça esse diagnóstico. Oitenta e cinco por cento dos inquiridos antecipa maior foco global neste tema e cerca de 76% considera decisivo o investimento privado; ainda assim, 62% reconhece que a incerteza nas avaliações de custo-benefício continua a travar escala. É neste sentido que a sustentabilidade ganha agora uma expressão mais tangível, ao incidir sobre a continuidade operacional, infraestruturas, cadeias de valor, seguros, exposição física ao risco climático e capacidade de absorver disrupção sem comprometer a viabilidade do negócio. Neste contexto, o desempenho do CSO passa a ser determinado também pela forma como contribui para proteger a operação e para preservar condições de continuidade.
A senioridade em sustentabilidade, (re)configurada
Ler a evolução do CSO a partir da empregabilidade permite perceber que o topo da carreira em sustentabilidade está a adquirir uma nova configuração. O percurso continua a exigir profundidade técnica, rigor analítico, leitura regulatória e conhecimento transversal; no entanto, o relatório do World Economic Forum sugere um patamar adicional de exigência associado à integração organizacional, à capacidade de negociação entre prioridades concorrentes e à tradução da sustentabilidade em critérios reconhecidos por outras áreas.
É também neste sentido que o relatório introduz a ideia de green divergence. A transição avança, mas não da mesma forma, nem ao mesmo ritmo, nem com a mesma combinação de objetivos, nas diferentes organizações e geografias. Em determinadas realidades corporativas, a sustentabilidade é impulsionada por competitividade, noutras por resiliência, noutras ainda por exigência regulatória ou transformação tecnológica. A liderança em sustentabilidade precisa, por isso, de acomodar esta diversidade de enquadramentos sem perder magnitude ou consistência.
Se a senioridade em sustentabilidade passa cada vez mais por coordenação, leitura sistémica e influência transversal, estaremos também perante uma redefinição mais silenciosa dos percursos profissionais que determinarão o acesso ao topo desta carreira?
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