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Planeamento integrado das infraestruturas energéticas: Uma necessidade para Portugal
O planeamento integrado procura analisar o sistema energético como um todo. Em vez de planear separadamente as redes, os diferentes vetores energéticos, o armazenamento e a flexibilidade da procura. Por Vasco Zeferina – Future Energy Leaders Portugal
21 Out 2026 - 07:00
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Vasco Zeferina Future Energy Leaders Portugal
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Vasco Zeferina Future Energy Leaders Portugal
A transição energética exigirá, nas próximas décadas, investimentos sem precedentes em produção renovável, redes, armazenamento e eletrificação dos consumos. Perante este desafio, Portugal beneficiaria da adoção de uma abordagem de planeamento energético mais integrada e holística, capaz de aumentar a confiança dos investidores e assegurar que os investimentos em infraestruturas energéticas são realizados onde geram maior valor para o sistema.
O planeamento integrado procura analisar o sistema energético como um todo. Em vez de planear separadamente as redes, os diferentes vetores energéticos, o armazenamento e a flexibilidade da procura, esta abordagem avalia as interações entre estes recursos para identificar a combinação de investimentos que minimiza os custos para o sistema.
Um dos exemplos mais relevantes desta abordagem é o Integrated System Plan (ISP) australiano. Revisto a cada dois anos, este processo avalia diferentes cenários para a evolução do sistema energético e transforma essa análise numa estratégia coordenada de investimento. Identifica zonas prioritárias de desenvolvimento e define uma trajetória coordenada de investimento em infraestruturas energéticas. O objetivo não é prever com exatidão o sistema de 2050, mas identificar opções robustas face às inevitáveis incertezas do futuro.
Para Portugal, este tema assume especial relevância. O crescimento das renováveis e a eletrificação da economia criarão uma forte pressão sobre as infraestruturas existentes. Antes de avançar para investimentos avultados em reforços de rede, será importante avaliar se parte dessas necessidades pode ser reduzida através de armazenamento, flexibilidade da procura ou outras soluções alternativas.
Para que este processo seja credível, deverá assentar em transparência, participação e rigor técnico. Os pressupostos utilizados devem ser claros, sujeitos a consulta pública e escrutínio. A utilização de modelos abertos e metodologias replicáveis contribuiria também para aumentar o escrutínio e a confiança nos resultados.
Por fim, dada a forte interligação do sistema elétrico ibérico, Portugal deveria evoluir para um processo de planeamento integrado que envolvesse entidades públicas, operadores, reguladores e agentes de mercado. Este processo deveria ser desenvolvido em estreita coordenação com Espanha e articulado com o planeamento energético europeu. Muitos dos benefícios destes investimentos são partilhados à escala europeia e a sua avaliação deve refletir essa realidade. Uma maior integração no Mercado Interno da Energia ajudará a maximizar o valor das infraestruturas ibéricas e a evitar a subutilização de ativos com relevância europeia.
Num contexto de investimento sem precedentes no sistema energético, a ausência de uma visão integrada aumenta o risco de decisões menos otimizadas e de custos desnecessários para consumidores e investidores.
O planeamento integrado não elimina a incerteza, mas permite geri-la de forma mais eficiente.
Nota: Vasco Zeferina escreve no âmbito de uma parceria mensal entre o Future Energy Leaders Portugal e o Jornal PT Green dedicada à análise de temas de energia.
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