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Agência Internacional de Energia recomenda teletrabalho e transportes públicos para aliviar pressão dos preços do petróleo

Medidas surgem como resposta à maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo e abrangem transporte rodoviário, viagens aéreas, cozinha e indústria. AIE destaca que governos podem liderar pelo exemplo.

20 Mar 2026 - 08:33

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

Trabalhar a partir de casa sempre que possível, reduzir a velocidade em autoestradas e recorrer aos transportes públicos são três das dez medidas que a Agência Internacional de Energia (AIE) recomenda para aliviar a pressão dos preços do petróleo sobre os consumidores.

Num relatório publicado nesta sexta-feira, a autoridade mundial recomenda ainda evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas e recorrer à eletricidade em substituição do gás na cozinha.

As medidas surgem como resposta às perturbações nos mercados petrolíferos causadas pela guerra no Médio Oriente. O conflito desencadeou a maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo, com o tráfego através do Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de 20% do consumo global de petróleo, reduzido a níveis mínimos, segundo a AIE.

Cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos petrolíferos transitam habitualmente por este estreito. A perda destes fluxos apertou significativamente os mercados, fazendo subir os preços do petróleo bruto acima dos 100 dólares por barril e provocando aumentos ainda mais acentuados em produtos refinados como o gasóleo, o combustível de aviação e o gás de petróleo liquefeito (GPL).

Para estabilizar os mercados energéticos globais, os países membros da AIE acordaram, a 11 de março, libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência, a maior libertação de stocks na história da Agência. Porém, a autoridade refere que atuar do lado da oferta não é suficiente para compensar a dimensão da perturbação. “Atuar sobre a procura é uma ferramenta crítica e imediata para reduzir a pressão sobre os consumidores, melhorando a acessibilidade e apoiando a segurança energética”, defende a AIE.

As medidas do lado da procura disponíveis para governos, empresas e famílias abrangem o transporte rodoviário, as viagens aéreas, a cozinha e a indústria.

“A guerra no Médio Oriente está a criar uma grande crise energética, incluindo a maior interrupção de abastecimento na história do mercado global de petróleo. Na ausência de uma resolução rápida, os impactos nos mercados energéticos e nas economias tenderão a agravar-se cada vez mais”, afirmou o Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol.

As recomendações do lado da procura agora apresentadas “baseiam-se em décadas de experiência da AIE nesta área e destaca medidas que já provaram funcionar na prática em diferentes contextos. Acredito que será útil para governos em todo o mundo, tanto em economias avançadas como em desenvolvimento, nestes tempos desafiantes”, assinala Fatih Birol.

A AIE refere ainda que os governos podem liderar pelo exemplo através de medidas no setor público, ações regulamentares e incentivos direcionados, assegurando simultaneamente que o apoio aos consumidores é bem calendarizado e dirigido a quem mais precisa.

Ações imediatas para reduzir a procura

1 – Trabalhar a partir de casa sempre que possível
Reduz o consumo de petróleo nas deslocações, sobretudo em funções compatíveis com o trabalho remoto.

2 – Reduzir os limites de velocidade em autoestradas em pelo menos 10 km/h
Velocidades mais baixas reduzem o consumo de combustível em automóveis, carrinhas e camiões.

3 – Incentivar o uso de transportes públicos
A mudança do carro particular para autocarros e comboios pode reduzir rapidamente a procura de petróleo.

4 – Alternar o acesso de carros particulares às estradas nas grandes cidades em dias diferentes
Sistemas de rotação de matrículas podem reduzir o congestionamento e a condução intensiva em combustível.

5 – Aumentar a partilha de automóveis e adotar práticas de condução eficiente
Maior ocupação dos veículos e condução ecológica reduzem rapidamente o consumo.

6 – Condução eficiente para veículos comerciais rodoviários e distribuição de mercadorias
Melhores práticas de condução, manutenção e otimização de cargas reduzem o consumo de gasóleo.

7 – Desviar a utilização de GPL do transporte
Transferir veículos bi-combustível para gasolina pode preservar o GPL para a cozinha e outras necessidades essenciais.

8 – Evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas
Reduzir viagens de negócios pode aliviar rapidamente a pressão sobre o combustível de aviação.

9 – Sempre que possível, recorrer a outras soluções modernas de cozinha
Incentivar o uso de eletricidade e outras opções modernas pode reduzir a dependência do GPL.

10 – Tirar partido da flexibilidade nas matérias-primas petroquímicas e implementar medidas de eficiência e manutenção de curto prazo
A indústria pode ajudar a libertar GPL para usos essenciais, ao mesmo tempo que reduz o consumo de petróleo através de melhorias operacionais rápidas.

 

 

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