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Agricultores de Serpa pedem reunião com o Governo sobre dificuldades no setor
Associação de Produtores do Concelho de Serpa ameaça avançar com protestos em Lisboa e quer que o ministro da Agricultura se desloque ao concelho para lhe serem apresentadas propostas de apoio ao setor.
02 Out 2026 - 19:06
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A APROSERPA – Associação de Produtores do Concelho de Serpa, no distrito de Beja, exigiu nesta sexta-feira ao Governo uma reunião sobre as dificuldades no setor agrícola e ameaçou avançar com protestos em Lisboa.
Em declarações aos jornalistas em Serpa, o vice-presidente da APROSERPA, António Morgado, referiu que a associação quer que o ministro da Agricultura se desloque ao concelho para lhe serem apresentadas propostas de apoio ao setor.
“Se não vier, havemos de partir para outras [ações de luta] e, se for preciso, vamos para Lisboa”, afirmou o dirigente, salientando que o setor agrícola na margem esquerda do Rio Guadiana está unido.
António Morgado falava aos jornalistas na parte final de uma marcha lenta, organizada por esta associação, em que tratores e outros veículos percorreram ‘a passo de caracol’ o troço da Estrada Nacional 260 (EN260) entre Vila Nova de São Bento e Serpa.
Na parte final do protesto, que terminou por volta das 13:30, os participantes fizeram um percurso circular na EN260 entre Serpa e a Ponte do Guadiana, provocando o congestionamento do trânsito no local.
Também em declarações aos jornalistas, o presidente da APROSERPA, João Revez, considerou que o Governo “podia mexer” no preço do gasóleo agrícola, acabando com a cobrança da taxa de carbono e do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).
“Temos uma atividade que sequestra carbono. No entanto, pagamos uma taxa de carbono. Como é que é possível? Qual é o sentido? Não faz qualquer sentido”, salientou.
Já em relação ao Imposto sobre o Valor Acrescentado, o dirigente realçou que “a maior parte das empresas agrícolas são credoras de IVA”, questionando: “Que sentido faz estarmos a dar o IVA para depois o Estado o devolver?”.
“Só mexendo nestas duas medidas, estávamos a falar de uma redução de cerca de 40 cêntimos por litro”, acrescentou.
Segundo os dirigentes, a APROSERPA enviou, em agosto passado, uma carta ao ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, com estas e outras propostas de apoio ao setor agrícola, que ficou sem resposta.
“Não há resposta. Aliás, o senhor ministro disse que está a fazer o máximo. E, neste momento, o máximo para nós é o mínimo”, acrescentou.
A manifestação começou quando um grupo partiu, às 07:53, de Serpa pela EN260 em direção a Vila Nova de São Bento, igualmente no concelho de Serpa, tendo desta localidade saído, pouco depois, um outro grupo em direção a Serpa.
A meio caminho, na povoação de A do Pinto, os dois grupos de agricultores uniram-se e seguem agora juntos em direção à Ponte do Guadiana, situada na periferia de Serpa, sempre sob o olhar atento de militares da GNR.
Nesta marcha lenta contra o aumento dos custos de produção no setor, alguns dos veículos que participaram transportavam bandeiras de Portugal e outros tinham cartazes com a frase “O nosso fim, a vossa fome”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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