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Árvores de crescimento rápido estão a expandir-se e a dominar as florestas
Estudo global com mais de 31 mil espécies alerta para a perda de árvores lentas para espécies de crescimento mais rápido, com impacto na estabilidade dos ecossistemas.
15 Fev 2026 - 11:01
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Foto: Adobe stock/Hand Robot
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As florestas estão a tornar-se mais homogéneas, dominadas por árvores de crescimento rápido, enquanto espécies lentas e de vida longa, essenciais para a estabilidade ecológica e o armazenamento de carbono, estão em declínio. Os dados são revelados num novo estudo global, baseado na análise de mais de 31 mil espécies de árvores.
Tendo e conta que estas árvores lentas desempenham funções cruciais, como manter o solo estável, regular ciclos da água, armazenar carbono e sustentar redes complexas de vida, a sua perda pode reduzir drasticamente a resiliência das florestas, tornando-as mais vulneráveis a secas, tempestades, pragas e às alterações climáticas, avançam os analistas.
Segundo Jens-Christian Svenning, professor da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e coautor do estudo, as espécies especializadas, muitas das quais vivem em pequenas áreas isoladas, estão particularmente ameaçadas. “Quando estas árvores desaparecem, deixam lacunas ecológicas que raramente são preenchidas por espécies de crescimento rápido, mesmo que estas se espalhem facilmente”, alerta.
O estudo também destaca o papel crescente das espécies invasoras oriundas de outras regiões. Apesar da sua capacidade de adaptação, estas espécies raramente substituem as funções ecológicas das nativas. Além disso, competem por recursos como luz, água e nutrientes, aumentando ainda mais a pressão sobre as árvores locais, destacam.
O estudo mostra que as regiões tropicais e subtropicais são provavelmente as que irão sofrer os impactos mais severos da homogeneização das florestas. Espera-se que estas áreas registem os maiores aumentos no risco de ameaça às espécies de árvores.
“É nestas regiões que ocorrem muitas espécies de árvores de crescimento lento, com áreas de distribuição naturalmente pequenas. Por estarem confinadas a zonas muito limitadas, estas espécies são especialmente vulneráveis e correm o risco de desaparecer completamente se os seus habitats forem destruídos ou ocupados por espécies de crescimento rápido”, explica o primeiro autor do estudo, Wen-Yong Guo, da Escola de Ciências Ecológicas e Ambientais da East China Normal University, em Xangai.
Os investigadores identificam a ação humana como principal causa destas mudanças, nomeadamente, as alterações climáticas, a desflorestação para agricultura e infraestrutura, a exploração intensiva e o comércio global de espécies florestais. Árvores de crescimento rápido, como acácia, eucalipto, choupo e pinheiro, são frequentemente promovidas devido à produção rápida de madeira e biomassa, mas são ecologicamente frágeis e mais suscetíveis a doenças.
O estudo alerta para a necessidade urgente de alterar a gestão florestal. “É fundamental apoiar e promover árvores lentas e raras na criação de novas florestas e na restauração de ecossistemas. Estas espécies aumentam a diversidade, fortalecem a resiliência e contribuem para a recuperação de comunidades animais importantes para o funcionamento futuro das florestas”, conclui Svenning.
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