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Benefícios económicos prometidos pela mineração em mar profundo são “um mito”
Estudo demonstra que mineração em mar profundo pode gerar mais prejuízos económicos do que ganhos a Estados e investidores.
07 Out 2026 - 15:03
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Uma nova análise económica concluiu que a promessa de prosperidade económica da mineração em mar profundo tem uma elevada probabilidade de destruir mais valor económico do que aquele que gera e, por isso, pode deixar os governos nacionais numa situação financeira frágil.
A análise “Case Not Proven: The Economics of Deep-Sea Mining” foi produzido pela Koinon Consulting e promovido pela Deep Sea Conservation Coalition (DSCC), Oceans North, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Dona Bertarelli Philanthropy e pela portuguesa Fundação Oceano Azul.
Com base em dados e projeções económicas apresentadas pela The Metals Company (TMC) para os projetos NORI-D e TOML, o estudo concluiu que, em mais de oito em cada dez cenários realistas (83%), a mineração em mar profundo destrói valor, mesmo antes de considerar custos ambientais e outros impactos sociais. O estudo aponta ainda para uma probabilidade de 61% de os investidores não recuperarem o capital investido. Ao contrário das projeções da TMC, que sugerem que a mineração em mar profundo poderia gerar ganhos na ordem dos milhares de milhões de dólares, o teste realizado por esta análise produz um resultado mediano de perdas de 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,4 mil milhões de euros).
“Este relatório independente confirma o que muitos especialistas e académicos há muito suspeitavam e alertavam: a narrativa difundida pelos defensores sobre os benefícios económicos prometidos da mineração em mar profundo é um mito. Longe de ser uma necessidade económica, a mineração em mar profundo é essencialmente uma aposta em que a humanidade tem muito mais a perder do que quaisquer ganhos especulativos”, assinala Pradeep Singh, especialista em Governação Oceânica da Fundação Oceano Azul. Acrescenta que esta análise “confirma que o único caminho responsável é agora fazer uma pausa na mineração em mar profundo e voltar a atenção para a proteção e para a verdadeira valorização do nosso capital natural”.
Os riscos económicos vão além das empresas que pretendem explorar o fundo do mar, consideram os analistas. O relatório conclui que a mineração em mar profundo pode deixar os governos em pior situação, ao reduzir as receitas da mineração terrestre existente. Estas perdas recairiam sobretudo nos países que dependem da produção mineral terrestre, nomeadamente a Indonésia, a África do Sul, a República Democrática do Congo e o Gabão, entre outros.
A análise também indica que os Estados patrocinadores assumiriam riscos jurídicos e ambientais significativos, recebendo pouco benefício financeiro. Na maioria dos cenários, os Estados patrocinadores não recebem qualquer imposto sobre o rendimento das sociedades dos projetos de mineração em mar profundo, apuraram os analistas.
A análise não contabiliza os custos potencialmente significativos dos danos ambientais, nem os impactos mais amplos nas pescas, nos meios de subsistência e nos ecossistemas oceânicos, o que provavelmente aumentaria ainda mais os custos económicos da mineração em mar profundo. Como a mineração em mar profundo não demonstra um benefício público claro, mesmo antes de se considerarem esses custos, as conclusões reforçam a defesa de que os governos apoiem uma moratória.
“A mineração em mar profundo não se sustenta como investimento atrativo. Os retornos são demasiado baixos para os riscos técnicos, operacionais, ambientais, de preços, de procura e sociais envolvidos”, afirma Johnny West, autor do relatório e diretor da Koinon Consulting. A análise “mostra que o modelo de negócio subjacente da indústria não resiste quando as suas próprias projeções são testadas face a riscos realistas”, conclui.
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