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Biometano pode reforçar resiliência energética de Portugal

Aproveitamento de 8 mil toneladas diárias de resíduos orgânicos pode ajudar o país a substituir importações de gás e acelerar a transição energética.

26 Mar 2026 - 15:37

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Foto: Freepik

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O Movimento pelo Gás Renovável defendeu, nesta quinta-feira, na Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia, que o biometano pode emergir como uma das soluções mais promissoras para reforçar a independência energética nacional.

Nomeadamente, se as cerca de 8 mil toneladas de resíduos orgânicos produzidos diariamente em Portugal fossem aproveitadas, o país poderia reduzir significativamente, ou mesmo eliminar, a importação de gás natural. A ideia foi destacada no âmbito da petição “Por uma Política Energética Equilibrada”, que conseguiu reunir mais de 1000 assinaturas e ser discutida no Parlamento.

“Portugal pode ter até 60% de potencial de produção de gás no seu território, o que é muito significativo”, referiu Gabriel Sousa, um dos subscritores da petição e presidente da Comissão Executiva da Floene.  Acrescentou que a integração do biometano no setor energético nacional tem ainda a vantagem de promover a economia circular. “Trata-se de um recurso diversificado no país, que permite fechar um ciclo de economia circular. Conseguimos produzir energia verde e os seus subprodutos podem regressar ao solo como fertilizantes, reduzindo também as importações nesta matéria”.

Gabriel Sousa defendeu também que o sistema de gás em Portugal deveria funcionar como o da eletricidade, ou seja, o mesmo sistema poderia veicular gás natural e biometano, tal como no sistema elétrico é veiculada energia de origem fóssil e de fontes renováveis. Reforçou ainda que o biometano é um “quick win” em relação ao hidrogénio: “É mais rápido de implementar, os resíduos já existem e é uma oportunidade que está a ser desperdiçada”.

Na mesma sessão, Ana Calhôa, secretária-geral da Associação de Bioenergia Avançada, referiu que o biometano e a bioenergia avançada “são um pilar estratégico”. E destacou também várias vantagens: “Não servem apenas para complementar o que já existe, promovem também a economia circular e valorizam as infraestruturas que já temos. Se conseguirmos rentabilizar isto, podemos tornar-nos mais independentes energeticamente e mais sustentáveis, independentemente de acontecerem tempestades ou guerras”.

Do ponto de vista de “quem anda no terreno”, António Farracho, CEO da Prado Energia, garantiu que “a nível local existe vontade de avançar com estes projetos”. Nomeadamente, porque a produção de biometano resolve a questão dos efluentes da produção pecuária, que podem desta forma ser transformados em gás e em fertilizantes. E defendeu que “o Governo deve contribuir para que os projetos de biometano tenham as mesmas oportunidades na política energética que outras soluções”.

Também Jaime Braga, secretário-geral da Associação Portuguesa de Produtores de Bionenergia, assinou a petição e destacou na audiência que os últimos meses mostraram ao país que “não podemos confiar numa única fonte de energia”. Na sua perspetiva, “a indústria precisa de alternativas, porque nem toda a indústria consegue fazer a transição energética recomendada. Se olharmos para as tarifas de gás e eletricidade, vemos que, em muitos casos, a eletricidade custa o dobro ou o triplo do gás por kWh”.

Jorge Marques dos Santos, presidente do CTCV- Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, referiu que “do ponto de vista tecnológico, o gás natural e o biometano são a mesma molécula”. Logo, “mudar para outras fontes pode exigir investimentos, enquanto a substituição por biometano é direta”. Referiu que o biometano pode ser produzido, por exemplo, no Algarve, injetado na rede e utilizado por uma fábrica noutra zona do país”.

Como representante de uma indústria que necessita de muita energia, destacou que “é necessário criar mecanismos de certificação de origem, como já acontece em Espanha. Assim, uma fábrica pode comprar biometano com garantia de origem atribuída pela REN. O importante é desmistificar estas soluções e avançar. Estamos a perder tempo, e a nossa independência energética poderia ser reforçada sem grandes investimentos”, defendeu.

Os signatários referiram ainda que o facto de as novas construções de habitações não disponibilizarem soluções de gás põem em causa o direito de escolha dos consumidores.

 

 

 

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