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Blockchain acelera eficiência energética na UE com novos modelos de incentivos digitais
Iniciativa aposta na digitalização do setor energético para premiar comportamentos mais eficientes. Projeto já reduz consumos de energia, emissões e custos em vários países europeus.
02 Mai 2026 - 08:22
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A blockchain é mais conhecida como a tecnologia que sustenta as criptomoedas, mas também pode contribuir para acelerar a transição energética, conforme demonstra um projeto europeu financiado pelo programa LIFE da União Europeia (UE).
O projeto SMARTSERV-InEExS, financiado pelo programa LIFE, desenvolveu uma forma de usar blockchain para recompensar a eficiência energética de empresas e consumidores, através de novos modelos de incentivo ao consumo sustentável.
A aposta na digitalização do setor energético para premiar comportamentos mais eficientes. Nomeadamente, combina sistemas energéticos digitalizados, como contadores inteligentes e controladores, com tecnologia blockchain, permitindo registar de forma segura e imutável os dados de consumo e poupança, o que garante transparência, valida a eficiência energética e possibilita a criação de incentivos para mudanças de comportamento no uso da energia.
Esta abordagem “pode desbloquear novas formas de validar poupanças energéticas, incentivar mudanças de comportamento e permitir serviços energéticos intersetoriais de forma transparente”, afirma Stavros Spyridakos, especialista em envolvimento na eficiência energética do Instituto para a Política Europeia de Energia e Clima (IEECP), em Amesterdão, Países Baixos, que coordena o projeto. Nomeadamente, os participantes recebem tokens baseados em blockchain que podem ser trocados por benefícios relacionados com energia dentro do próprio sistema.
Desde 2022, o projeto tem quatro pilotos em funcionamento na Alemanha, Espanha, Grécia e Escandinávia. Em Crevillent, Espanha, a cooperativa energética Enercoop utiliza dados em tempo real sobre consumo, preços da rede e produção solar para ajudar os utilizadores a otimizar o uso de energia. Os participantes que conseguem reduzir o consumo são recompensados com tokens blockchain.
Os resultados demonstram uma redução de 3% no consumo total de eletricidade em cerca de 1.000 habitações, com poupanças de 318 mil euros e uma diminuição anual de 2.500 toneladas de CO₂, o equivalente a retirar cerca de 580 automóveis de circulação, segundo a Comissão Europeia.
Inquilinos de habitação pública em Berlim também receberam tokens de blockchain por mudarem para energia solar em telhados. Os tokens acompanham as poupanças de energia de forma transparente, demonstrando que os requisitos contratuais estão a ser cumpridos, explica a CE.
Entretanto, na Grécia, a empresa de gás Heron obtém tokens de blockchain ao instalar controladores inteligentes de poupança energética nas caldeiras a gás dos seus clientes. Estes sistemas inteligentes aumentaram a eficiência das caldeiras, reduzindo o consumo de energia em quase 30% e diminuindo as faturas de gás dos clientes.
“O projeto fornece um modelo replicável para qualquer região da UE que pretenda tirar partido da tecnologia para promover mudanças de comportamento, maximizar o uso de energias renováveis e criar ecossistemas energéticos locais transparentes e baseados em incentivos”, afirma Spyridakos.
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