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Catástrofes naturais causam perdas globais de mais de 200 mil milhões de euros
Apenas 49% das perdas estavam seguradas, segundo o Swiss Re Institute. Incêndios, tempestades e inundações representam maioria das perdas. Previsão de perdas é ainda maior para 2026, com tempestades a liderar fenómenos extemos.
21 Mar 2026 - 10:35
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Foto: Facebook do município de Marinha Grande
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Foto: Facebook do município de Marinha Grande
As catástrofes naturais provocaram perdas económicas globais de cerca de 202 mil milhões de euros em 2025, confirmando a tendência de aumento dos impactos financeiros associados a fenómenos extremos à escala mundial.
De acordo com um novo relatório do Swiss Re Institute, apenas 49% das perdas estavam seguradas, representando cerca de 98 mil milhões de euros. Trata-se, ainda assim, da maior proporção já registada, apesar de se registar uma “ampla lacuna de proteção”, sobretudo em países em desenvolvimento, onde a maioria dos prejuízos continua sem cobertura de seguros, revela o Instituto.
Um dos principais destaques de 2025 foi o peso recorde dos chamados “riscos secundários”, como incêndios florestais, tempestades convectivas severas e inundações, que representaram 92% das perdas seguradas globais. Estes fenómenos, muitas vezes recorrentes, mas cada vez mais intensos, estão a assumir um papel central no aumento das perdas, destaca o relatório.
As tempestades convectivas severas foram responsáveis por cerca de 46,9 mil milhões de euros em perdas seguradas a nível global, enquanto os incêndios florestais contribuíram de forma significativa, incluindo um dos maiores eventos registados: os incêndios em Los Angeles, nos Estados Unidos, que geraram cerca de 36,8 mil milhões de euros em prejuízos segurados.
Apesar de variações anuais, como a ausência de grandes furacões em 2025, os especialistas alertam que a tendência de crescimento das perdas é estrutural. O aumento da população, a expansão urbana em áreas vulneráveis e a subida dos custos de reconstrução continuam a impulsionar a exposição ao risco.
Desde 1970, mais de 80% do crescimento das perdas seguradas relacionadas com fenómenos meteorológicos deve-se precisamente a essa maior exposição. No entanto, o relatório indica que este fator já não explica totalmente a evolução recente. Em várias regiões, incluindo a Europa, a intensificação dos fenómenos extremos e mudanças na vulnerabilidade estão a acelerar o aumento dos prejuízos.
As tempestades estão entre os principais motores deste crescimento, representando cerca de 38% do aumento histórico das perdas seguradas, seguidas pelos incêndios florestais e pelas inundações.
O Swiss Re Institute alerta ainda que, num cenário de perdas extremas, os prejuízos segurados globais poderão atingir até 294 mil milhões de euros em 2026, mais do dobro dos valores recentes.
“A consciencialização do risco, a adaptação e a mitigação, juntamente com seguros e resseguros adequados, desempenham um papel vital na resiliência da sociedade”, salienta Urs Baertschi, CEO de Resseguro de Ramos Não Vida.
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