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Conselho Científico da UE alerta para insuficiência dos esforços de adaptação climática na Europa

Relatório recomenda que a UE se prepare para um aquecimento global entre 2,8 e 3,3 graus centígrados até 2100, ao apelar à mobilização de investimentos públicos e privados.

17 Fev 2026 - 14:01

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Foto: Freepik

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O Conselho Consultivo Científico Europeu sobre as Alterações Climáticas publicou um relatório em que considera insuficientes os atuais esforços de adaptação climática da União Europeia (UE) e apresenta cinco recomendações para reforçar a resiliência do continente face a riscos crescentes.

O documento surge num momento em que a Europa aquece ao dobro da velocidade da média global e em que os impactos já se fazem sentir de forma concreta. O calor extremo causou cerca de 24.000 mortes prematuras no verão de 2025, e os danos económicos em infraestruturas ascendem a uma média de 45 mil milhões de euros por ano.

O relatório avisa que, sem uma resposta coordenada, os impactos climáticos irão corroer progressivamente a competitividade europeia, pressionar os orçamentos públicos e agravar os riscos de segurança. A temperatura média global já subiu cerca de 1,4 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais, e os progressos globais em matéria de mitigação são considerados insuficientes para cumprir o objetivo de 1,5 graus do Acordo de Paris.

Entre as recomendações centrais do Conselho está a adoção de um cenário de referência comum para o planeamento da adaptação, preparando a Europa para um aquecimento global entre 2,8 e 3,3 graus centígrados até ao final do século, ao qual se somaria a utilização sistemática de cenários ainda mais adversos para efeitos de teste de resistência. O documento incentiva à mobilização de investimento públicos e privados em adaptação, tal como uma gestão coerente dos custos implicados. Apela ainda à definição de uma visão clara para “uma UE resiliente às alterações climáticas” até 2050, apoiada em objetivos mensuráveis por setor, e à harmonização das avaliações de risco climático em todas as políticas europeias e nos Estados-membros.

O presidente do Conselho Consultivo, Ottmar Edenhofer, sublinha que “o fortalecimento da adaptação não é opcional, mas essencial para proteger vidas, meios de subsistência e as bases económicas da Europa”. A vice-presidente Laura Diaz Anadon vai mais longe e enquadra a adaptação como uma questão de segurança sistémica: “Um quadro de adaptação robusto da UE é fundamental para fazer face aos riscos que ameaçam a segurança dos serviços críticos, dos alimentos, da água e da energia”.

O relatório é também explícito quanto aos limites da adaptação, ao realçar que não pode substituir a redução de emissões. O Conselho defende que mitigação e adaptação têm de avançar em paralelo, alertando que mesmo os cenários de mitigação mais otimistas implicam uma intensificação dos riscos nas próximas décadas. “A adaptação não pode evitar todas as perdas”, reconhece a vice-presidente Jette Bredahl Jacobsen, reiterando que os esforços de redução de emissões continuam a ser indispensáveis.

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