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Contas da luz travam bombas de calor e prolongam dependência do gás importado
Em alguns países, impostos e custos políticos chegam a representar 75% da fatura elétrica, revela a Ember, ao defender que a sua retirada tornaria a eletrificação do aquecimento mais barata e reduziria as importações de fósseis.
17 Dez 2025 - 16:02
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A Europa continua a aquecer as casas com gás importado devido aos preços altos da eletricidade. A conclusão é da Ember, que aponta para a estrutura das contas de eletricidade, carregadas de impostos e encargos políticos, como um dos principais bloqueios à adoção em massa de bombas de calor.
Mais de 30% das habitações da União Europeia (UE) ainda dependem do gás para aquecimento. As bombas de calor, que são duas a três vezes mais eficientes do que as caldeiras a gás, surgem como alternativa óbvia. Mas o preço final da eletricidade neutraliza essa vantagem tecnológica.
Segundo a Ember, os custos não energéticos podem representar até 75% da fatura elétrica em alguns Estados-membros. Se esses encargos fossem transferidos para os orçamentos públicos, a relação média entre o preço da eletricidade e do gás na UE cairia de 2,85 para 2,51, ou para 1,98, caso fossem redistribuídos pelas contas de gás.
Nos Países Baixos, onde a eletricidade custa apenas 1,4 vezes mais do que o gás, vendem-se três vezes mais bombas de calor por mil famílias do que na Alemanha, Polónia ou Hungria, onde essa relação ultrapassa os 3.
O bloqueio é tanto económico como estratégico. Entre 60% e 70% das bombas de calor vendidas na Europa são produzidas no próprio continente. Acelerar a sua adoção significaria substituir gás importado por eletricidade renovável doméstica e reforçar o emprego industrial europeu, esclarece a análise.
“Eliminar custos políticos desatualizados e garantir que os preços da eletricidade sejam competitivos com o gás pode ajudar a transformar as escolhas dos consumidores, reduzir as importações de combustível e fortalecer a indústria europeia de bombas de calor no curto prazo, cumprindo as metas da REPower EU para 2030”, concluiu o analista Tom Harrison. O próximo Plano de Ação para a Eletrificação, anunciado pela Comissão Europeia, será um teste à capacidade dos governos de fazer essa escolha.
Nesta semana, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) informou que em janeiro de 2026 as tarifas reguladas de eletricidade vão registar um aumento médio de 1% nas faturas dos portugueses, em comparação com os valores praticados em dezembro.
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