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Conflito no Golfo custa 340 milhões de euros por dia à indústria naval
Para a organização T&E, a dependência quase total do setor marítimo em combustíveis fósseis expõe-no diretamente a choques de preço e ruturas de abastecimento.
27 Mar 2026 - 18:08
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Foto: Adobe Stock/Yellow Boat
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Foto: Adobe Stock/Yellow Boat
O conflito no Golfo está a transformar-se um peso milionário para a indústria global de transporte marítimo. Segundo uma análise da Transport & Environment (T&E), as empresas de navegação estão a gastar, diariamente, mais 340 milhões de euros em combustíveis, um custo adicional que já soma mais de 4,6 mil milhões de euros desde o início do conflito.
O aumento dramático dos preços do combustível marinho é a principal causa. O VLSFO, um dos combustíveis fósseis mais utilizados, atingiu 941 euros por tonelada em Singapura, um salto de 223% desde o início de 2026. O gás natural liquefeito (GNL) registou uma subida de 72% desde o início março. Para a T&E, a dependência quase total do setor em combustíveis fósseis (99%) expõe-no diretamente a choques de preço e ruturas de abastecimento.
“O caos no Estreito de Ormuz está a colocar o comércio marítimo global no centro das atenções, mas é nos mercados petrolíferos que o seu impacto se fará sentir com maior intensidade”, afirma Eloi Nordé, citado em comunicado. “Se há algo a reter, esta crise deve servir de catalisador para um maior investimento em combustíveis sintéticos europeus e uma maior adoção de medidas de eficiência energética”, conclui o responsável pela política marítima da T&E.
A análise da T&E mostra que a disparidade de custos entre combustíveis fósseis e sintéticos está a diminuir, chegando a cerca de 5% em alguns portos, o que torna a alternativas verdes mais competitivas e viáveis. Ao contrário dos combustíveis fósseis, que dependem de rotas geopoliticamente expostas, os sintéticospodem ser produzidos localmente.
Medidas de eficiência, como propulsão eólica, redução de velocidade ou eletrificação de navios, poderiam aliviar a pressão sobre o mercado de combustíveis. Segundo a T&E, 20% das travessias europeias de ferries poderiam ser eletrificadas a um custo inferior ao equivalente fóssil, enquanto tecnologias de assistência eólica poderiam reduzir o consumo de combustível de navios oceânicos até 18%.
A organização apela aos decisores europeus para acelerarem “a transição para um setor marítimo mais resiliente e competitivo, apoiando o desenvolvimento de uma indústria europeia de combustíveis sintéticos através de apoio financeiro específico aos combustíveis sintéticos ecológicos e do reforço das metas do programa FuelEU Maritime”.
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