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Administração Trump processada pela aprovação de pesticida classificado como PFAS

O processo surge após a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos aprovar a utilização da trifludimoxazina, pesticida conhecido como "químico eterno", numa numa vasta gama de culturas agrícolas, incluindo milho, trigo, aveia e soja.

01 Set 2026 - 13:57

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Donal Trump | Foto: Gage Skidmore/Wikimedia

Donal Trump | Foto: Gage Skidmore/Wikimedia

O Centro para a Segurança Alimentar norte-americano processou a administração Trump pela aprovação da trifludimoxazina, um pesticida classificado como PFAS, conhecidos como “químicos eternos” devido à sua persistência no ambiente. A organização alerta para os potenciais riscos da substância para a saúde humana e para a biodiversidade. 

À ação juntaram-se ainda o Centro para a Diversidade Biológica e a Rede de Ação contra os Pesticidas e Agroecologia da América do Norte, que contestam a autorização dada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA na sigla em inglês) para a utilização do herbicida em várias culturas agrícolas. 

De acordo com o comunicado emitido pelo Centro para a Segurança Alimentar, a ação judicial foi apresentada na passada sexta-feira no Tribunal de Recurso dos Estados Unidos para o 9.º Circuito.

Os PFAS, “químicos eternos”, são uma classe de químicos caracterizada por ligações carbono-flúor extremamente fortes e altamente resistentes à degradação. A trifludimoxazina, o pesticida em causa, demora anos ou mesmo décadas a decompor-se completamente. 

O processo surge após a EPA aprovar a utilização da trifludimoxazina numa vasta gama de culturas agrícolas, incluindo milho, trigo, aveia, soja, laranjas, maçãs, amendoins e amêndoas. 

“Como se as ameaças para a saúde não fossem suficientes, este herbicida extremamente potente pode dispersar-se e prejudicar culturas e plantas selvagens a centenas de metros dos campos onde é aplicado, enquanto o escoamento ameaça as plantas das zonas húmidas”, afirma Bill Freese, diretor científico do Centro para a Segurança Alimentar. “Biocidas tão potentes como este não têm lugar na paisagem americana”, acrescenta. 

Segundo o comunicado, é possível que a dispersão do produto através da pulverização cause danos generalizados em plantas nativas e culturas destinadas à alimentação, uma vez que a trifludimoxazina é 10 vezes mais tóxica para as plantas do que o dicamba, um herbicida cuja dispersão e escoamento têm causado danos sem precedentes em milhões de hectares de culturas desde 2017.

“Continuar a registar novos herbicidas, como a trifludimoxazina, mantém os agricultores num ciclo de dependência de pesticidas e perpetua o problema da resistência das ervas daninhas aos herbicidas. O potencial dos pesticidas PFAS para contaminar a água e o solo onde quer que sejam utilizados é altamente preocupante para a saúde e os meios de subsistência das pessoas que vivem em comunidades agrícolas”, sublinha Emily Marquez, cientista da Rede de Ação contra os Pesticidas e Agroecologia da América do Norte, segundo comunicado.

Relembre-se que, a nível europeu, a Comissão iniciou, em julho deste ano, uma iniciativa público-privada para impulsionar a identificação e mitigação de PFAS. 

A longo prazo, a CE irá ainda ponderar a proibição total de PFAS nos bens de consumo. No que diz respeito às aplicações industriais, a utilização continuada poderá ser permitida para utilizações críticas em que ainda não existam alternativas adequadas, mas apenas em condições rigorosas e até que tenham sido desenvolvidos substitutos aceitáveis.

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