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Cuba vira-se para renováveis chinesas perante blackout de petróleo dos EUA
Graças à tecnologia chinesa, a ilha das Caraíbas tem 34 parques solares em operação, com uma capacidade de quase 1,2 GW. Trata-se de um aumento de 350% em relação a 2024.
06 Abr 2026 - 17:28
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Foto: Adobe Stock/Vadim
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Foto: Adobe Stock/Vadim
Cuba está a virar-se para a tecnologia solar chinesa como forma de colmatar os efeitos do blackout de petróleo dos EUA na sua oferta energética. Segundo uma análise publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira, a China forneceu 1 gigawatt de painéis fotovoltaicos a Cuba no ano passado e prometeu mais apoio. Entretanto, segundo o seu novo plano económico e social, o país pretende gerar 15% da sua energia a partir de renováveis em 2026.
A energia solar chinesa tem vindo a ser uma espécie de “tábua de salvação” nesta altura em que a rede energética do país tem sido propensa a colapsos. Recorde-se que, só em março, ocorreram dois apagões nacionais numa semana.
Segundo o jornal, graças à tecnologia chinesa, a ilha das Caraíbas tem 34 parques solares em operação, com uma capacidade de quase 1,2 GW. Trata-se de um aumento de 350% em relação a 2024, permitindo a Cuba mais do que quadruplicar a proporção de geração solar para cerca de 9% do total no final do ano passado. Cuba planeia ter 92 parques solares, com pouco mais de 2 GW de capacidade, até 2028.
“Nos últimos 12 meses, o governo conseguiu instalar 1 GW — estão, portanto, a meio caminho do objetivo”, disse Euan Graham, analista sénior do think-tank energético Ember, ao Financial Times. “Um gigawatt é uma quantidade muito significativa no sistema, e chegar a 2 GW seria bastante transformador”.
Não é, no entanto, claro como o regime financiou os equipamentos solares chineses, embora o plano económico de 2026 indique que 320 MW de tecnologia foram doados por Pequim. O primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero Cruz, disse que alguma tecnologia solar foi “paga” com níquel produzido em Cuba.
O jornal destaca que o envolvimento de Pequim no setor energético cubano é explicitamente político: o embaixador da China em Cuba, Hua Xin, criticou o bloqueio energético dos EUA numa conferência de imprensa em Havana no mês passado. Disse que a China iria reforçar “a cooperação no setor de novas energias, como a fotovoltaica, para ajudar Cuba a acelerar a sua transição energética e a aliviar esta complexa situação elétrica”.
Segundo o Ember, a China enviou painéis solares no valor de 108,8 milhões de euros para Cuba no ano passado, contra 44,6 milhões em 2024 e 15,4 milhões em 2019. As importações de baterias da China também dispararam para 52,1 milhões de euros no ano passado, sendo que em 2024 tinham sido de 6,8 milhões. Só em janeiro deste ano, foram importadas baterias no valor de cerca de 14 milhões de euros.
A China também investiu diretamente em Cuba: a Shanghai Electric investiu cerca de 55,8 milhões de euros no parque solar Mariel de 62 MW, o primeiro projeto privado da ilha, numa joint venture com a Hive Energy, empresa do Reino Unido.
Recorde-se que Donald Trump prometeu em janeiro impor tarifas a países que fornecessem petróleo a Cuba, na tentativa de forçar uma mudança de regime. O bloqueio provocou carências críticas e racionamento severo num país já afetado por décadas de sanções norte-americanas.
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