3 min leitura
Eólicas espanholas defendem que imposto extraordinário sobre setor elétrico pode prejudicar investimentos nas renováveis
Reação surge em resposta à proposta de cinco países, incluindo Portugal, de criar um imposto para financiar apoios aos consumidores afetados pelos elevados preços da energia.
06 Abr 2026 - 17:02
3 min leitura
Foto: Greenvolt
- Mata Nacional de Leiria vai vender árvores tombadas em hasta pública e criar memorial
- Obras da Barragem do Pisão devem decorrer “depressa” para garantir financiamento
- OCDE alerta para travões ao crescimento global e inclui segurança energética nas reformas estruturais
- Argentina aprova reforma que arrisca proteção de glaciares para investimentos mineiros
- ENTSO-E rejeita novos projetos elétricos no Chipre sem aprovação oficial
- Castelo Branco investe 442 mil euros na manutenção de faixas de gestão de combustível para prevenir incêndios
Foto: Greenvolt
A associação da indústria eólica de Espanha, Asociación Empresarial Eólica (AEE), defendeu nesta segunda-feira que uma proposta de imposto extraordinário sobre os lucros das empresas de energia poderá travar o investimento em energias renováveis, na altura em que a Europa procura reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis.
A crítica surgiu depois de cinco países da União Europeia, incluindo Portugal, terem apresentado a Bruxelas a proposta de taxar lucros excessivos obtidos durante a subida dos preços da energia desencadeada pela guerra com o Irão.
A Reuters noticiou em exclusivo no passado sábado que os ministros das Finanças da Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e Áustria apelaram conjuntamente a um imposto à escala da UE numa carta enviada à Comissão Europeia, afirmando que a medida poderia ajudar a financiar apoios aos consumidores afetados pelos elevados preços da energia.
Na declaração desta segunda-feira, a AEE diz que “a energia eólica tem sido a principal tecnologia geradora de eletricidade desde o início da nova crise energética e o mecanismo mais eficaz para conter os preços”. E acrescenta que a sombra de um possível novo imposto, que poderia ser aplicado a empresas do setor elétrico, “impacta as decisões de investimento em tecnologias renováveis, como a energia eólica, que são mais necessárias do que nunca”.
Na sua declaração, a associação destaca que particularmente os consumidores espanhóis de eletricidade evitaram a alta dos preços observada noutros países graças à contribuição de 65% da sua eletricidade proveniente de tecnologias renováveis nacionais, sendo a energia eólica a que mais contribui, com 22% do total.
“Se o preço do gás tivesse influenciado os preços da eletricidade de forma tão significativa como em outros países, os preços da eletricidade teriam ultrapassado os 100 €/MWh, o que não aconteceu. Os preços da eletricidade no mercado spot ibérico estão entre os mais baixos da Europa e têm-se mantido baixos, com perspetivas de crescimento futuro muito limitadas, mesmo em meio à crise causada pela guerra no Irão”, pode ler-se na declaração publicada.
A AEE refere ainda que o setor de energia eólica é um dos setores industriais com a maior carga tributária da economia. Portanto, “a solicitação de novos impostos potenciais que impactam o setor elétrico cria insegurança jurídica e afasta investidores”.
Focando as renováveis como essenciais para a resiliência energética europeia, a AEE defende que “mais energia eólica significa menor exposição aos preços internacionais dos combustíveis fósseis, maior segurança energética, mais poupança, mais indústria e mais empregos. Vamos promovê-la sem novos riscos regulatórios”.
Entretanto, a DECO, associação de defesa dos consumidores de Portugal, já veio defender, em entrevista à SIC, que a proposta deveria aplicar-se também ao Estado, na medida em que também ele arrecada receita extraordinária com o elevado preço dos combustíveis.
- Mata Nacional de Leiria vai vender árvores tombadas em hasta pública e criar memorial
- Obras da Barragem do Pisão devem decorrer “depressa” para garantir financiamento
- OCDE alerta para travões ao crescimento global e inclui segurança energética nas reformas estruturais
- Argentina aprova reforma que arrisca proteção de glaciares para investimentos mineiros
- ENTSO-E rejeita novos projetos elétricos no Chipre sem aprovação oficial
- Castelo Branco investe 442 mil euros na manutenção de faixas de gestão de combustível para prevenir incêndios