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Financiamento climático bateu recorde de 136,7 mil milhões de dólares em 2024
Países desenvolvidos ultrapassam meta de 100 mil milhões de dólares em financiamento climático pelo terceiro ano consecutivo. O financiamento privado cresceu 33% em 2024, o maior crescimento anual desde 2016, mostra OCDE.
24 Mai 2026 - 10:56
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Foto: Freepik
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Os países desenvolvidos bateram em 2024 um novo recorde no financiamento climático, ao mobilizarem 136,7 mil milhões de dólares (125 mil milhões de euros) para os países em desenvolvimento. A meta de 100 mil milhões de dólares (cerca de 86 mil ME), voltou a ser superada tanto em 2023 como em 2024, com uma margem crescente.
Em 2023 foram mobilizados 132.8 mil milhões (114,2 mil ME), mostra o relatório “Financiamento climático fornecido e mobilizado pelos países desenvolvidos entre 2013 e 2024”, divulgado pela OCDE nesta quinta-feira.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirma, em comunicado, que ultrapassar a meta dos 100 mil milhões de dólares pelo terceiro ano consecutivo em 2024, demonstra “um compromisso claro no apoio às economias em desenvolvimento para se adaptarem e mitigarem as alterações climáticas”. Além disso, Cormann sublinha que tanto o financiamento privado mobilizado como o financiamento para adaptação aumentaram, “o que é fundamental para que os países em desenvolvimento possam cumprir os seus objetivos climáticos.”

Gráfico: OCDE
Segundo o relatório, o financiamento para mitigação continua a representar a maior parte do financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, correspondendo a quase dois terços do financiamento total.
O financiamento privado mobilizado, principalmente através de investimento direto em empresas, garantias e empréstimos sindicados, manteve a sua trajetória ascendente e chegou a atingir 30.5 mil milhões de dólares (28 mil ME) em 2024. Isto representa o maior crescimento anual desde 2016, com um aumento de 7,6 mil milhões dólares (7 mil ME), correspondentes a 33% de aumento, face a um crescimento mais moderado em 2023 de 1 mil milhão de dólares (0,9 mil ME), equivalente a 5%.
Este crescimento, impulsionado sobretudo por bancos multilaterais de desenvolvimento, continua a ser uma componente essencial dos esforços para aumentar o financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento.
O financiamento para adaptação, que ajuda os países em desenvolvimento a reforçar a sua resiliência face aos impactos das alterações climáticas, continua a crescer, embora que a um ritmo mais lento, mostra o relatório. Tanto em 2023 como em 2024, estes financiamentos representaram um quarto financiamento climático total.
Duplicar os níveis de 2019 do financiamento para adaptação até 2025, conforme estabelecido Pacto Climático de Glasgow de 2021, exigiria que o financiamento para adaptação fornecido pelos países desenvolvidos aumentasse mais de 5 mil milhões de dólares (4,6 mil ME) em 2025.
No entanto, é importante relembrar que após a administração Trump ter interrompido as contribuições para fundos climáticos internacionais, os resultados obtidos em 2025, podem não ter sido tão favoráveis quanto os de 2024.
O relatório mostra ainda que o financiamento climático permaneceu concentrado nos países de rendimento médio, enquanto o apoio ao financiamento prestado aos países de baixo rendimento caiu para 8,4 mil milhões de dólares (7,7 mil ME) em 2023 e recuperou parcialmente para 9,6 mil milhões de dólares (8,1 mil ME) em 2024, permanecendo abaixo do pico de 11,1 mil milhões de dólares (9.4 mil ME) registado em 2022.
Desde 2015, a OCDE vem a acompanhar os progressos em direção à meta acordada no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em 2009, que visava mobilizar 100 mil milhões de dólares por ano até 2020 para ajudar os países em desenvolvimento a mitigar e adaptar-se às alterações climáticas. Posteriormente, esta meta foi prolongada até 2025.
Com a meta de 100 mil milhões de dólares consolidada, os países integrantes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), da qual Portugal faz parte, adotaram na COP29 o Novo Objetivo Coletivo Quantificado para o financiamento climático no período de 2026 a 2035, com uma nova meta de cerca de 300 mil milhões de dólares, equivalente a cerca de 260 mil ME. A primeira reunião deverá ocorrer em 2028.
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