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Projeto mineiro prevê produzir 50 mil toneladas de grafite por ano em Moçambique

A mineradora britânica Total Graphite suspendeu temporariamente a produção em Madagáscar para acelerar os seus projetos de grafite em Moçambique e para permitir trabalhos adicionais de perfuração, planeamento mineiro e melhoria de infraestruturas.

17 Jul 2026 - 17:43

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Foto: Freepik

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A mineradora britânica Total Graphite suspendeu temporariamente a produção em Madagáscar para acelerar os seus projetos de grafite em Moçambique, incluindo Montepuez, província de Cabo Delgado, prevendo produzir 50 mil toneladas anuais numa primeira fase.

A informação consta de uma atualização operacional, consultada nesta sexta-feira pela Lusa e enviada aos mercados pela Total Graphite plc, empresa britânica cotada na bolsa de valores de Londres, na qual a mineradora afirma estar a priorizar “a conclusão da otimização” da sua operação produtora em Madagáscar, enquanto avança com o desenvolvimento dos seus projetos de grande escala em Moçambique e dos planos de processamento industrial.

Segundo a empresa, a produção foi temporariamente suspensa na operação de Vatomina, Madagáscar, para permitir trabalhos adicionais de perfuração, planeamento mineiro, melhoria de infraestruturas e otimização da unidade de processamento. A retoma da produção está prevista para dezembro deste ano, com uma meta superior a mil toneladas por mês.

Em paralelo, a empresa refere estar a avançar com a atualização do estudo definitivo de viabilidade do projeto Montepuez, em Cabo Delgado, para uma operação de primeira fase com capacidade prevista de “50 mil toneladas por ano”.

A Total Graphite acrescenta que a análise realizada no âmbito do programa de otimização reforçou a convicção da administração de que o grupo tem “um portefólio de ativos valiosos capaz de suportar um negócio integrado de grafite significativamente maior”, associado ao mercado global de baterias e da transição energética.

De acordo com o comunicado, a empresa dispõe atualmente de uma posição de caixa total de 3,8 milhões de dólares (3,3 milhões de euros), incluindo uma garantia bancária de 2,3 milhões de dólares (dois milhões de euros) associada aos projetos mineiros moçambicanos. A companhia acrescenta que continua a avaliar “oportunidades de financiamento e parcerias estratégicas” para apoiar o desenvolvimento dos seus ativos.

O anúncio surge numa altura em que a produção moçambicana de grafite regista uma recuperação significativa. Dados do Governo indicam que o país produziu 28.018 toneladas nos primeiros três meses de 2026, equivalente a quase o dobro da meta inicialmente prevista para todo o ano, fixada em 14.814 toneladas.

Segundo o executivo, o desempenho foi impulsionado pela consistência operacional do principal produtor do mineral e pela entrada em atividade de uma nova empresa na província de Niassa, permitindo alcançar 189% da meta prevista para o período.

A evolução representa uma recuperação após a volatilidade dos últimos anos. Moçambique produziu um recorde de 165,9 mil toneladas de grafite em 2022, volume que caiu para 97,3 mil toneladas em 2023 e para 34,9 mil toneladas em 2024.

Contudo, o país encerrou 2025 com uma produção efetiva de 67.078 toneladas, apesar de não ter registado qualquer produção no primeiro trimestre desse ano devido à paralisação da mina de Balama, em Cabo Delgado, afetada pelos protestos que se seguiram às eleições gerais de outubro de 2024.

A mina de Balama é uma das mais importantes operações de grafite do mundo destinadas ao mercado de baterias para veículos elétricos, incluindo nos Estados Unidos.

Em janeiro, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, considerou, na inauguração da nova fábrica de processamento de grafite no Niassa, que esta constitui uma oportunidade para o país se afirmar como fornecedor de grafite de alta pureza, em vez de simples exportador de matéria-prima bruta.

A unidade, de capitais chineses, representou um investimento de cerca de 200 milhões de dólares (171,5 milhões de euros) e dispõe de capacidade para produzir e processar até 200 mil toneladas de grafite por ano.

Instalada no distrito de Nipepe, a cerca de 400 quilómetros de Lichinga, capital provincial, a fábrica emprega atualmente 1.090 trabalhadores, prevendo ultrapassar os dois mil postos de trabalho quando atingir a capacidade máxima.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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