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Eni exige empresas moçambicanas mais competitivas para aceder aos megaprojetos de gás

Petrolífera italiana defende que a competitividade deve acompanhar as políticas de conteúdo local para garantir maior participação nacional nos investimentos.

15 Jul 2026 - 17:06

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Foto: Unsplash

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A diretora-geral da petrolífera italiana Eni em Moçambique, Marica Calabrese, pediu a capacitação das empresas moçambicanas para reforçar a sua competitividade e garantir contratos nos megaprojetos de gás.

“Não podem só trabalhar a pedir leis para assegurar ter um contrato com os operadores internacionais. Cada uma das empresas tem que trabalhar em si mesma para ser competitiva”, disse Calabrese, ao participar, em Maputo, no painel “Industrialização e Conteúdo Local: Transformar recursos naturais em produção, renda e emprego”, no último dia da 21.ª edição da Conferência Anual do Setor Privado (CASP), o maior fórum moçambicano de diálogo entre os setores privado e público.

Acrescentou que as oportunidades geradas pelos megaprojetos em curso, de mais de 50 mil milhões de dólares (43,1 mil milhões de euros) na área do gás natural, “não vêm de um dia para outro a partir das descobertas”, mas precisam de tempo, investimento e esforços de todos, incluindo do Governo, operadores e o setor privado moçambicano. Daí a necessidade de capacitação de empresas para serem competitivas no fornecimento de bens e serviços.

“Eu sempre digo, o objetivo das empresas aqui presentes hoje não tem que ser ter um contrato com a Eni. Têm que ser competitivas, porque se essas empresas são competitivas, eles vão ter um contrato com a Eni, com a Exxon, com a Total e pode ser também com outras empresas no estrangeiro”, reiterou.

A administradora da Eni recordou que a empresa de exploração de gás na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, possui 1.400 trabalhadores e mais de mil milhões de dólares (861 milhões de euros) em contratos assinados com empresas moçambicanas, reforçando que os dados demonstram ser possível garantir contratos em megaprojetos com empresas capacitadas.

“O que a [plataforma flutuante de gás] Coral Sul ensinou é que tudo isso é possível, claramente cada um tem que fazer o seu papel, as autoridades a fazerem leis que possam ajudar esse sistema, mas também as empresas, os operadores, a encontrarem mecanismos para que isso possa acontecer”, acrescentou Calabrese.

Já o ministro dos Recursos Minerais e Energia moçambicano, Estêvão Pale, insistiu numa aproximação mais efetiva entre as empresas locais e as oportunidades geradas pelos megaprojetos para garantir a industrialização do país.

“Não basta capacitar empresas se elas não conseguem aceder a oportunidades. Não basta formar quadros se não criamos condições para sua integração e progressão no setor. É necessário aproximar de forma mais efetiva e aproveitar oportunidades geradas pelos grandes projetos”, disse Pale.

O governante desafiou os participantes a encontrarem mecanismos concretos para assegurar que mais empresas e profissionais moçambicanos, uma vez capacitados, tenham acesso às oportunidades existentes no setor.

“Precisamos aproximar as instituições financeiras com oportunidades concretas de projetos. Precisamos de promover parcerias entre empresas nacionais e internacionais para que permitam verdadeiramente a transferência do conhecimento e tecnologia”, concluiu o ministro.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, promulgou em 03 de junho a Lei do Conteúdo Local, juntamente com as revisões das leis do Setor Empresarial do Estado, de Minas e de Petróleos, que obrigam a uma maior intervenção do empresariado nacional nestes projetos.

Moçambique tem atualmente três megaprojetos aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, ao largo da província de Cabo Delgado, classificadas entre as maiores do mundo.

A Eni produz desde 2022 através da plataforma flutuante Coral Sul, capacidade que será duplicada para sete milhões de toneladas por ano (mtpa) a partir de 2028 com a segunda plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), cuja decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês) foi aprovada em outubro, além da perspetiva de desenvolvimento de uma terceira unidade.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

 

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