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Mais de 70% das cheias na Europa combinam múltiplos riscos climáticos
Cheias acompanhadas por secas e tempestades quase triplicaram nos últimos 30 anos, mostra estudo. Maioria dos modelos de risco, sistemas de seguros e mecanismos de alerta continua a tratar as cheias como eventos isolados.
24 Mai 2026 - 15:11
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Foto: Freepik
- Mais de 70% das cheias na Europa combinam múltiplos riscos climáticos
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Mais de 70% dos eventos de cheia na Europa são, na realidade, eventos compostos, mostra novo estudo internacional liderado por cientistas do JRC (Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia), em colaboração com o Instituto Potsdam para Investigação do Impacto Climático, a Vrije Universiteit Amsterdam e a Universidade de Louvain.
Isto significa que mais de dois terços das cheias que ocorrem na Europa combinam múltiplos riscos que contribuem para impactos sociais ou ambientais. Estes eventos envolvem pelo menos um risco adicional, como seca, onda de calor ou tempestade de vento, que ocorre antes ou em simultâneo com a cheia.
Segundo o mesmo relatório, as perdas económicas provocadas por cheias associadas a múltiplos riscos são quase três vezes superiores às causadas por inundações isoladas. Ainda que neste momento a grande maioria das cheias esteja associada a outros fenómenos naturais, a maioria dos modelos de risco, sistemas de seguros e mecanismos de alerta precoce continua a tratar as cheias como eventos isolados.
Em média, as perdas causadas por inundações combinadas com outros fenómenos extremos foram 2,8 vezes superiores às perdas registadas em cheias isoladas ao longo do período analisado pelo estudo. Os eventos com maiores perdas económicas pertenciam todos à categoria de fenómenos compostos.
Os dados do relatório revelam ainda uma tendência preocupante: as cheias estão cada vez mais associadas a dois ou mais riscos adicionais. Entre as décadas de 1980 e 2010, estes eventos compostos aumentaram 186%, em comparação com apenas 16% no caso das cheias isoladas, o que significa que estes fenómenos combinados quase triplicaram nos últimos 30 anos.
As conclusões do estudo apontam para “implicações claras” em várias áreas políticas. Neste sentido, a JRC considera que integrar a complexidade dos riscos combinados ajudaria a identificar as regiões mais vulneráveis, permitindo melhorar a preparação e a resposta dos órgãos regionais e da proteção civil.
Além disso, o estudo recomenda que informação sobre riscos combinados também seja incluída nos sistemas multirriscos de alerta precoce que a UE está atualmente a desenvolver, já que isto poderá melhorar significativamente a capacidade de antecipar os eventos mais destrutivos.
As indústrias dos seguros e os modelos financeiros de risco necessitam também de rever os modelos atuais e os preços que partilham, uma vez que, segundo o relatório, continuam a não estar preparados para resolver situações de riscos combinados.
Em Portugal, as inundações causadas em várias zonas do país no seguimento da Tempestade Kristin, como as cheias na bacia do Mondego, servem para exemplificar as conclusões apresentadas no estudo. O relatório aponta ainda como exemplo as cheias de Emília-Romanha, em maio de 2023, que ocorreram após um período de seca extrema da região.
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