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Governo ordena avaliação urgente ao impacto das cheias na bacia do Mondego
Ministra do Ambiente manda APA rever modelo de gestão do risco e infraestruturas da década de 70, face ao agravamento das alterações climáticas.
18 Fev 2026 - 17:41
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Rio Mondego | Foto: Município de Coimbra / Facebook
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Rio Mondego | Foto: Município de Coimbra / Facebook
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, mandatou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para realizar, com carácter de urgência, um relatório técnico sobre o impacto das cheias de 2026 na bacia hidrográfica do rio Mondego e avaliar os atuais modelos de gestão do risco.
Anunciado nesta quarta-feira após uma reunião de balanço sobre as tempestades que assolaram o país nas últimas semanas, o estudo incidirá sobre todo o sistema de infraestruturas hidráulicas da bacia do Mondego, concebido na década de 1970, com o objetivo de aferir a sua capacidade de resposta às exigências impostas pelas alterações climáticas. Em causa está a adaptação de um modelo desenhado há mais de 50 anos a um contexto de maior frequência e intensidade de fenómenos extremos.
“As alterações climáticas obrigam à avaliação dos modelos em que assenta o planeamento que garante a segurança de pessoas e bens”, constatou a ministra, ao salientar uma “alteração nos padrões de recorrência de cheias, com particular incidência nos últimos 25 anos”.
Desde o ano 2000, o fenómeno das cheias tem-se agravado em intensidade e frequência, aumentando a pressão sobre as infraestruturas hidráulicas nacionais. A situação registada recentemente no Mondego, uma das principais bacias hidrográficas do país, funcionará agora como caso de estudo para testar a robustez do sistema e identificar vulnerabilidades.
O relatório contará com contributos de especialistas da área e deverá apontar medidas de adaptação estrutural e operacional. Entre as hipóteses em análise está a criação de um novo modelo de manutenção continuada e preventiva, assente numa co-gestão efetivamente participada pelos municípios, entidades públicas e agentes económicos da região. “Em tempo de crise devemos ter um sistema de co-gestão”, reiterava aos jornalistas Maria da Graça Carvalho, depois da reunião de balanço com a APA.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do Governo para rever os mecanismos de gestão do risco nas bacias hidrográficas portuguesas. O estudo sobre o Mondego será o primeiro de uma série de avaliações previstas para outras regiões do país, garante o comunicado divulgado pela tutela.
Desde a fileira de tempestades que afetaram Portugal, o ministério do Ambiente e Energia diz estar a trabalhar no “pós-crise”. Já anunciou a elaboração de um estudo a fim de adaptar o Sistema Elétrico Nacional (SEN) às alterações climáticas, que contempla o enterramento das linhas em áreas críticas, bem como a abertura de um concurso para a recuperação de barragem de Girabolhos.
Esta última foi alvo de críticas por parte da agência ZERO por ser considerada uma resolução “precipitada”, ao que Maria da Graça Carvalho ripostou: “Teria ajudado de certeza a controlar e a regular melhor. Se iria evitar ou não, é impossível dizer. Penso que em condições destas seria difícil evitar uma cheia desta dimensão, mas era mais uma ferramenta para ajudar a controlar o caudal do Mondego”.
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