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Empresas de café lançam sistema de mapeamento por satélite para prevenir desflorestação com origem no setor
Parceria Coffee Canopy quer gerar mapa acessível ao público das regiões produtoras de café a nível mundial. Projeto-piloto arranca em países da África Ocidental.
23 Abr 2026 - 10:45
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Um conjunto de empresas de café estão a lançar um sistema que permite rastrear e prevenir a desflorestação provocada pelo setor. A parceria intitulada Coffee Canopy vai utilizar imagens de satélite de alta resolução fornecidas pela Airbus, inteligência artificial e verificação no local para gerar um mapa de referência para os anos 2020/2021 e um mapa atualizado para 2024/2025.
O objetivo é criar, pela primeira vez, um mapa “abrangente e acessível” ao público das regiões produtoras de café a nível mundial, adianta a Tchibo, uma das empresas envolvidas na iniciativa. O rastreamento poderá servir de base para a conservação florestal, a restauração da paisagem e o cultivo sustentável do café.
A região da África Ocidental vai acolher o projeto-piloto, com especial incidência na Etiópia, Tanzânia, Quénia, Uganda, Burundi e Ruanda, onde serão mapeados cerca de 1,2 milhões de quilómetros quadrados de áreas de cultivo de café.
“Um desafio fundamental até à data tem sido a falta de dados cartográficos precisos – isto dificulta a proteção eficaz das florestas e corre o risco de excluir injustamente milhões de pequenos agricultores do mercado”, descreve Pablo von Waldenfels, diretor de responsabilidade corporativa da Tchibo. A parceria inclui também as empresas JDE Peet’s, Louis Dreyfus Company, Neumann Kaffee Gruppe, Sucafina e a Touton.
Nos termos do Regulamento da UE sobre a Desflorestação, cuja entrada em vigor está prevista para 30 de dezembro no caso das grandes empresas e para 30 de junho de 2027 no caso das micro e pequenas empresas, o café cultivado em terrenos classificados como floresta após dezembro de 2020 não poderá entrar nos mercados europeus.
“Isto ameaça excluir milhões de pequenos agricultores dos principais mercados, apesar das suas práticas agrícolas sustentáveis, simplesmente porque os mapas existentes classificam incorretamente as suas terras de produção agroflorestal ou de café cultivado à sombra como floresta”, explicou o comunicado lançado pela JDE Peet’s.
Para Pablo von Waldenfels, o mapa produzido pela Coffee Canopy funciona então como “um bem público partilhado e permite que todo o setor – desde os torrefadores e governos até aos próprios agricultores – trabalhe em conjunto para prevenir a desflorestação, regenerar paisagens e garantir um futuro sustentável para o café”.
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