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Falhas nas políticas travam expansão do biometano na Europa
Impulso geopolítico e potencial disponível poderá dinamizar um mercado que continua pouco explorado, segundo a Associação Europeia de Biogás. Alemanha, França, Itália, Polónia e Reino Unido concentram maioria do potencial.
22 Abr 2026 - 09:01
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Foto: Freepik
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O biometano pode ajudar a proteger a Europa de choques nos combustíveis fósseis, mas o atual dinamismo político continua a ser insuficiente para o expandir ao ritmo necessário. No mesmo dia em que a Comissão Europeia publica a sua comunicação “Accelerate EU”, um novo relatório da Associação Europeia de Biogás (AEB) destaca tanto o valor estratégico do biometano para a segurança energética e descarbonização como o desfasamento entre ambição e implementação.
Segundo a análise, a produção atual continua abaixo do que é possível com os recursos existentes. Cerca de 22 mil milhões de metros cúbicos de biogases são atualmente produzidos na Europa, dos quais 5 mil milhões correspondem a biometano, sendo a produção quase totalmente baseada na digestão anaeróbia.
O relatório estima o potencial total de biometano em 34–35 mil milhões de metros cúbicos até 2030 (UE-27 + Reino Unido, Noruega e Suíça), proveniente sobretudo de resíduos agrícolas (25%), estrume animal (23%), culturas sequenciais (19%) e águas residuais industriais (15%), que em conjunto representam 81% do total. Cerca de 60% deste potencial concentra-se na Alemanha, França, Itália, Polónia e Reino Unido.
A perspetiva a longo prazo confirma uma oportunidade significativa de crescimento, salienta a AEB. Nomeadamente, prevê que o potencial de produção aumente para 116–132 mil milhões de metros cúbicos até 2040 e até 205 mil milhões até 2050, reforçando o papel do biometano num futuro sistema energético descarbonizado.

Fig 1. Produção real de biogases na Europa em 2024 e potencial avaliado de produção de biometano e e-metano em 2030, 2040 e 2050, por tecnologia. (AEB)
“A Europa tem os recursos para expandir o biometano, mas a sua implementação está a ser travada por persistentes barreiras regulamentares”, afirma Harmen Dekker, CEO da Associação Europeia de Biogás. “Sem um quadro político estável e coerente, o setor não consegue crescer ao ritmo necessário para cumprir os objetivos energéticos e climáticos da Europa”, acrescenta.
A AEB sublinha que a estimativa de potencial para 2030 foi revista em baixa em comparação com avaliações anteriores, refletindo não uma redução do potencial sustentável, mas sim a falta de ação atempada para implementar projetos e mobilizar matérias-primas disponíveis.
De acordo com a Comissão Europeia, a UE gastou 336,7 mil milhões de euros em importações de energia em 2025, com mais 22 mil milhões de euros associados a recentes tensões geopolíticas.
A AEB defende que, com as condições certas, a Europa dispõe de um recurso “significativo e sustentável” que pode assegurar uma fonte interna de energia renovável, reforçar a resiliência face a choques externos e contribuir para a independência energética a longo prazo.
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