2 min leitura
Desigualdade social trava eficiência energética nas habitações em Portugal
Dados do INE revelam que famílias com menos rendimentos enfrentam maiores barreiras a obras de melhoria, ficando limitadas a casas mais antigas, menos eficientes e com custos energéticos mais elevados.
20 Mar 2026 - 12:55
2 min leitura
Foto: Freepik
- Aumento recorde de renováveis em 2025 redefine segurança energética mundial
- Governo aprova medidas temporárias para crise energética com tetos máximos nos preços da eletricidade
- Governo vai avaliar resposta das redes elétricas ao comboio de tempestades
- Desigualdade social trava eficiência energética nas habitações em Portugal
- Montenegro diz que a atual crise energética reflete o efeito “penalizador” dos atrasos nas interconexões
- Sistema elétrico europeu deve melhorar monitorização e coordenação entre intervenientes
Foto: Freepik
A transição energética nas habitações em Portugal está a avançar a duas velocidades e a diferença mede-se, sobretudo, pelo rendimento. Os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2025 do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelados nesta sexta-feira, mostram que a eficiência energética continua fora do alcance de uma parte significativa da população, em particular dos agregados em risco de pobreza.
Quanto mais antiga a casa, menor a probabilidade de ter sido alvo de intervenções, indicam os resultados. E quanto mais baixos os rendimentos, maior a probabilidade de aí residir. Mais de metade das famílias em alojamentos construídos antes de 1960 (54,7%) afirmam nunca ter realizado obras de melhoria energética, apesar de reconhecerem essa necessidade. Trata-se de um bloqueio estrutural que perpetua casas mais frias no inverno, mais quentes no verão e mais dispendiosas de manter.
No extremo oposto, os edifícios mais recentes provam outra realidade. Entre os alojamentos construídos após 2015, 21,6% dos agregados beneficiaram de pelo menos uma intervenção para melhorar a eficiência energética.
O principal obstáculo está associado aos custos para as carteiras. Entre as famílias em risco de pobreza, 90,1% apontam a falta de recursos financeiros como razão para não avançar com obras. Mesmo acima do limiar de pobreza, a percentagem permanece dominante (77,9%), o que indica que a eficiência energética continua a ser percebida como um investimento inacessível ou adiável.
Os números confirmam fortes discrepâncias, com agregados com menos recursos a ficarem sujeitos a habitações menos eficientes, a suportar custos energéticos mais elevados e a viver em piores condições de conforto térmico.
A própria distribuição do parque habitacional reforça este ciclo. Os agregados em risco de pobreza estão sobre-representados nos edifícios mais antigos (30,1% vivem em casas construídas antes de 1945) e sub-representados nos mais recentes. O inquérito mostra ainda que a população em risco de pobreza revelou ter sido mais afetada por danos causados à habitação por causas ambientais ou meteorológicas.
- Aumento recorde de renováveis em 2025 redefine segurança energética mundial
- Governo aprova medidas temporárias para crise energética com tetos máximos nos preços da eletricidade
- Governo vai avaliar resposta das redes elétricas ao comboio de tempestades
- Desigualdade social trava eficiência energética nas habitações em Portugal
- Montenegro diz que a atual crise energética reflete o efeito “penalizador” dos atrasos nas interconexões
- Sistema elétrico europeu deve melhorar monitorização e coordenação entre intervenientes