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Desigualdade social trava eficiência energética nas habitações em Portugal

Dados do INE revelam que famílias com menos rendimentos enfrentam maiores barreiras a obras de melhoria, ficando limitadas a casas mais antigas, menos eficientes e com custos energéticos mais elevados.

20 Mar 2026 - 12:55

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Foto: Freepik

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A transição energética nas habitações em Portugal está a avançar a duas velocidades e a diferença mede-se, sobretudo, pelo rendimento. Os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2025 do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelados nesta sexta-feira, mostram que a eficiência energética continua fora do alcance de uma parte significativa da população, em particular dos agregados em risco de pobreza.

Quanto mais antiga a casa, menor a probabilidade de ter sido alvo de intervenções, indicam os resultados. E quanto mais baixos os rendimentos, maior a probabilidade de aí residir. Mais de metade das famílias em alojamentos construídos antes de 1960 (54,7%) afirmam nunca ter realizado obras de melhoria energética, apesar de reconhecerem essa necessidade. Trata-se de um bloqueio estrutural que perpetua casas mais frias no inverno, mais quentes no verão e mais dispendiosas de manter.

No extremo oposto, os edifícios mais recentes provam outra realidade. Entre os alojamentos construídos após 2015, 21,6% dos agregados beneficiaram de pelo menos uma intervenção para melhorar a eficiência energética.

O principal obstáculo está associado aos custos para as carteiras. Entre as famílias em risco de pobreza, 90,1% apontam a falta de recursos financeiros como razão para não avançar com obras. Mesmo acima do limiar de pobreza, a percentagem permanece dominante (77,9%), o que indica que a eficiência energética continua a ser percebida como um investimento inacessível ou adiável.

Os números confirmam fortes discrepâncias, com agregados com menos recursos a ficarem sujeitos a habitações menos eficientes, a suportar custos energéticos mais elevados e a viver em piores condições de conforto térmico.

A própria distribuição do parque habitacional reforça este ciclo. Os agregados em risco de pobreza estão sobre-representados nos edifícios mais antigos (30,1% vivem em casas construídas antes de 1945) e sub-representados nos mais recentes. O inquérito mostra ainda que a população em risco de pobreza revelou ter sido mais afetada por danos causados à habitação por causas ambientais ou meteorológicas.

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