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EDP continua a ver os EUA como “mercado estratégico”
Procura crescente por renováveis, impulsionada por data centers e IA, sustenta aposta da elétrica portuguesa, apesar da incerteza política e desinvestimento de Donald Trump nas renováveis.
19 Jan 2026 - 07:34
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Foto: EDP
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Foto: EDP
Apesar do contexto político adverso nos Estados Unidos, marcado por sinais de desinvestimento federal nas energias renováveis e por uma maior aposta da Administração Trump nos combustíveis fósseis e na energia nuclear, a EDP e a sua subsidiária EDP Renováveis (EDPR) mantêm a convicção de que o mercado norte-americano continuará a ser central na sua estratégia de crescimento.
Em resposta às questões colocadas pelo Jornal PT Green, a elétrica sublinha que “a procura por energia renovável em todos os setores e regiões dos EUA é enorme, o que representa uma extraordinária oportunidade de investimento e de crescimento”. Segundo a empresa, uma parte significativa dessa procura está a ser impulsionada pela rápida expansão de data centers, associados ao desenvolvimento de novas tecnologias e serviços, como a inteligência artificial (IA), que exigem grandes volumes de energia limpa e estável. “Temos um portefólio sólido e uma estratégia resiliente que continua a ver nos EUA um mercado estratégico e com um enorme potencial de crescimento”, refere fonte oficial.
Esta posição surge num momento em que o setor enfrenta desafios relevantes. A EDP já havia reportado que o lucro da EDP Renováveis caiu 49% até setembro para 107 milhões de euros. Paralelamente, várias decisões políticas dos EUA, marcadas pelo desinvestimento da Administração Trump nas renováveis e aposta nos combustíveis fósseis e na energia nuclear, têm impactado o setor energético a nível global.
Recorde-se que, no final do ano, os EUA suspenderam a licença de cinco projetos de energia eólica offshore na costa Leste do país, justificando a decisão com riscos para a segurança nacional. A “guerra aberta” às renováveis já levou a dinamarquesa Orsted a avançar para tribunal contra a suspensão de um projeto eólico de 5 mil milhões de euros levada a cabo pela Administração Trump e que estava 87% concluído.
O mesmo fez o grupo norueguês Equinor, que, entretanto, já conseguiu ver revertida esta suspensão por um juiz federal de Washington, que autorizou a retoma da construção do seu parque eólico offshore na costa de Nova Iorque.
Também a Iberdrola contestou judicialmente a decisão do governo de Donald Trump por afetar os seus investimentos nos EUA. A ação legal foi iniciada pela Vineyard Wind, empresa conjunta da filial da Iberdrola nos EUA (a Avangrid), e o fundo de investimento Copenhagen Infrastructure Partners (CIP), e contesta a decisão que paralizou uma parte das obras do parque eólico Vineyard Wind.
Questionada sobre se a EDPR está nalguma situação semelhante de suspensão de projeto e, em caso positivo, se pondera processar os EUA pelos prejuízos causados como fizeram as congéneres, a empresa não prestou qualquer informação.
EDPR canaliza maior verba para EUA
A EDP reafirma, por seu lado, que os Estados Unidos continuam a ser um mercado estratégico. No seu Plano de Negócios 2026-2028, o grupo prevê investir 7,5 mil milhões de euros em energia eólica, solar e sistemas de armazenamento de energia (BESS, na sigla inglesa), sendo cerca de 60% desse montante destinado aos EUA. A empresa não indicou, na resposta enviada, qualquer intenção de rever ou deslocalizar estes investimentos para outras geografias.
Recorde-se, por exemplo, que, em novembro passado, a EDP anunciou que assinou um acordo de 500 milhões de dólares (cerca de 433 milhões de euros) para desenvolver e construir um projeto solar nos EUA para o grupo norte-americano WEC Energy. A operação, realizada através da EDP Renewables North America, prevê “construir e desenvolver um projeto solar de 225 MWac [megawatts de corrente alternada]”, segundo comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Este será o quarto acordo do género firmado pela EDP nos EUA desde 2019.
Ao Jornal PT Green, a empresa destaca ainda o papel das energias limpas na criação de empregos de longo prazo, no reforço da segurança de abastecimento e na geração de rendimento para comunidades locais, sublinhando que “continua disponível para colaborar nessa agenda energética cujo investimento contribuirá para criar empregos a longo prazo, fontes alternativas de abastecimento e de rendimento para múltiplas comunidades e o seu progresso económico”.
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