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Endesa planeia iniciar projeto na antiga central do Pego em 2027
Anúncio faz parte do plano geral da empresa para 2026-2028, que estima investir 600 milhões de euros na central, em Abrantes.
24 Fev 2026 - 10:22
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Central do Pego em 2011 | Foto: Wikimedia
A Endesa anunciou ao mercado, nesta terça-feira, o seu maior plano de investimento dos últimos 12 anos, no valor de 10.600 milhões de euros para o período 2026-2028, um aumento de 10% face ao plano anterior. Nesta comunicação, a empresa admite que a construção do projeto “de transição justa do Pego” pode arrancar em 2027.
O investimento estimado é de 600 milhões de euros para instalar 600 MW de capacidade híbrida (eólica, solar e baterias), com perfil de produção próximo da carga base, orientado para grandes consumidores, como centros de dados.
Os trabalhos de demolição da antiga central a carvão, situada em Abrantes, têm já início marcado para março deste ano, com duração prevista de três anos. As torres de refrigeração e a chaminé da central, com 116 metros e 225 metros de altura, respetivamente, serão demolidas na fase final do projeto, através do “uso controlado” de explosivos, conforme adiantou a Tejo Energia na passada quinta-feira.
Em paralelo, a Endesa apresentou resultados financeiros de 2025 acima do limite superior das previsões, com um lucro líquido ordinário de 2.351 milhões de euros, mais 18% do que no ano anterior.
O resultado bruto de exploração (EBITDA) atingiu 5.756 milhões de euros em 2025, um crescimento de 9%. O desempenho foi sustentado por todos os segmentos de negócio, com exceção da geração renovável (penalizada por menores volumes e preços na eólica e solar), e com destaque para a geração convencional, impulsionada pelo “bom desempenho do negócio do gás”, frisa a empresa em comunicado.
A Endesa vai propor agora um dividendo de 1,58 euros por ação, 20% acima do inicialmente previsto (1,3 euros) e também 20% superior ao distribuído no ano anterior. A rendibilidade por dividendo supera os 5%. Segundo a empresa, desde a última oferta pública de ações em novembro de 2014, a 13,5 euros por título, o retorno total para os acionistas ascende a 361%, mais do dobro do registado pelo IBEX 35 no mesmo período (159%).
Em 2025, a Endesa investiu 3.200 milhões de euros, mais 55% do que no exercício anterior, destinando 77% desse montante a redes e renováveis. O fluxo de caixa livre atingiu 4.100 milhões, permitindo financiar investimentos, dividendos (1.500 milhões) e a primeira fase de um programa de recompra de ações (525 milhões), mantendo o rácio de alavancagem em 1,8 vezes.
Redes absorvem metade do investimento
Do total de 10.600 milhões previstos até 2028, 52% serão canalizados para redes de distribuição. A fatia das redes ascende a 5.500 milhões de euros (um aumento de 40% face ao plano anterior), refletindo a necessidade de reforçar uma infraestrutura que a empresa considera próxima da saturação.
“A saturação da rede tornou‑se uma barreira significativa ao crescimento económico, à eletrificação da indústria e ao cumprimento dos objetivos de descarbonização”, admite a Endesa. Em 2025, apenas 18% dos 26.000 MW de pedidos de ligação foram autorizados, um volume que duplica o pico de procura da rede da empresa.
A concretização deste esforço dependerá, contudo, da aprovação de um novo decreto que permita elevar os limites de investimento e reconhecer integralmente os ativos realizados. A empresa estima que 80% do investimento em redes seja integrado na base de ativos regulados, que deverá crescer 13% até 2028, para 13.000 milhões de euros.
Renováveis com abordagem seletiva e aposta em armazenamento
O investimento em renováveis será de 3 mil milhões de euros (28% do total), menos 1,3 mil milhões de euros do que no plano anterior. A prioridade será dada à energia eólica e ao armazenamento, que representarão 1.500 MW dos 1.900 MW adicionais previstos até 2028.
A Endesa estruturou ainda uma plataforma de até 3.000 MW de projetos híbridos na Península Ibérica, apta a celebrar contratos de longo prazo (PPA), nomeadamente com operadores de centros de dados.
Já no capítulo da geração nuclear, a Endesa reiterou a necessidade de rever o calendário de encerramento acordado em 2019, face aos atrasos na instalação de capacidade eólica e de armazenamento previstos no Plano Nacional Integrado de Energia e Clima (PNIEC). A empresa defende que, em condições fiscais equivalentes, substituir a produção nuclear por um mix de solar, baterias e centrais a gás teria um custo duas vezes superior. Nesse sentido, foi apresentado ao Ministério da Transição Ecológica espanhol um pedido de extensão da operação dos dois reatores da central de Central Nuclear de Almaraz até 2030.
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