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Europa arrisca entrar no inverno com menores reservas de gás e incentivos de mercado insuficientes

Estudos do setor alertam para níveis de armazenamento mais baixos, dependência crescente de GNL e necessidade de rever regras europeias de segurança de abastecimento.

13 Abr 2026 - 11:02

4 min leitura

Foto: Pexels

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A Europa inicia a preparação para o inverno de 2026/2027 com reservas de gás significativamente abaixo dos últimos anos e com sinais de mercado considerados insuficientes para garantir o reabastecimento atempado, segundo vários relatórios divulgados nas últimas semanas por entidades do setor.

De acordo com dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) e da Rede Europeia dos Operadores das Redes de Transporte de Gás (ENTSOG), as reservas de gás natural liquefeito (GNL) da União Europeia situavam-se em cerca de 28% no início de abril, um nível alinhado com o período pré-crise energética, mas inferior ao registado nos três anos anteriores. O valor levanta preocupações perante a atual situação de maior volatilidade geopolítica e de pressão sobre os mercados globais de energia.

As entidades alertam que o diferencial de preços entre verão e inverno, tradicionalmente um incentivo ao armazenamento, se mantém baixo ou mesmo negativo, desincentivando a injeção precoce de gás nas infraestruturas europeias. Sem um arranque imediato e sustentado da época de abastecimento, há risco de a Europa entrar no inverno com menor flexibilidade para responder a picos de procura ou a interrupções de fornecimento.

Ao mesmo tempo, a crescente dependência GNL surge como fator crítico. Segundo a ENTSOG, será necessário aumentar as importações de GNL face a anos anteriores para atingir níveis adequados de armazenamento. No entanto, a disponibilidade global deste recurso poderá ser condicionada por tensões geopolíticas, nomeadamente no Golfo Pérsico, o que agrava a incerteza.

Apesar disso, as infraestruturas europeias (que incluem redes de transporte, terminais de regaseificação e instalações de armazenamento) são consideradas estruturalmente robustas. Com uma capacidade de regaseificação estimada em cerca de 1.600 terawatts/hora (TWh) por inverno e armazenamento na ordem dos 1.131 TWh, o sistema tem capacidade para responder à procura, desde que o abastecimento seja assegurado.

Os relatórios sublinham, porém, que o armazenamento de gás continua a ser um elemento central da segurança energética europeia, não apenas para garantir o fornecimento direto, mas também para suportar o sistema elétrico. Com o aumento da produção renovável, centrais a gás são chamadas a compensar períodos de baixa produção eólica ou solar, reforçando a interdependência entre os dois sistemas.

Um estudo recente da GIE, apresentado em Bruxelas, destaca ainda que a capacidade de extração de gás, e não apenas o volume armazenado, será determinante para a resiliência futura. Em colaboração com a Artelys e a Compass Lexecon, os investigadores avançaram que, em cenários de stress prolongado, como vagas de frio ou falhas simultâneas nos sistemas energético, mais de metade da procura de pico no inverno poderá depender do armazenamento subterrâneo, tanto em 2030 como em 2040,

As mesmas análises apontam fragilidades no atual enquadramento regulatório europeu. Entre as recomendações estão a atualização das avaliações de risco, a revisão dos padrões de segurança de abastecimento para refletir limitações operacionais e a criação de mecanismos mais estáveis de abastecimento após 2027, bem como uma repartição mais equilibrada dos custos entre Estados-membros.

Para já, o consenso entre operadores e analistas é de que a preparação para o próximo inverno dependerá de uma combinação de decisões políticas, sinais de mercado mais eficazes e da capacidade de garantir fluxos suficientes de GNL ao longo dos próximos meses. Sem isso, avisam, a margem de segurança do sistema energético europeu poderá voltar a estreitar-se. “Em todos os cenários, o armazenamento de gás continua a ser uma componente vital de um sistema energético resiliente e bem preparado”, conclui a presidente da Gas Storage Europe e CEO da Storengy, Charlotte Roule.

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