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Europa corre risco de deixar mais de 120 GW de energias renováveis planeadas por utilizar
Estudo mostra que metade dos operadores de rede europeus não dispõe de capacidade suficiente para ligar novos projetos de energia eólica e solar, nomeadamente em Portugal.
01 Abr 2026 - 07:45
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A Europa pode deixar por concretizar mais de 120 gigawatts (GW) de nova capacidade renovável planeada, devido às limitações nas redes elétricas. O alerta é de uma análise do think tank Ember, divulgada nesta manhã, que aponta para um bloqueio estrutural numa altura em que o continente enfrenta o segundo choque nos preços dos combustíveis fósseis em apenas quatro anos.
De acordo com o estudo, metade dos operadores de rede europeus não dispõe de capacidade suficiente para ligar novos projetos de energia eólica e solar. As restrições são particularmente visíveis em países como Portugal, Áustria, Bulgária, Letónia, Países Baixos, Polónia, Roménia e Eslováquia. O problema poderá alastrar-se a economias centrais como Alemanha e Itália, que não divulgam dados completos sobre a capacidade das suas redes, segundo a Ember.
“Os estrangulamentos nas redes já não são apenas um problema técnico. São um risco de segurança”, reitera Elisabeth Cremona, analista de energia da Ember. Num contexto de preços voláteis, acrescenta, as infraestruras elétricas tornaram-se decisivas para substituir os combustíveis fósseis importados e proteger os consumidores.
A estratégia energética europeia assenta na eletrificação de transportes, aquecimento e indústria, combinada com a expansão acelerada de fontes renováveis. Mas esse plano depende de uma condição crítica: que a oferta de eletricidade limpa acompanhe o ritmo da procura. Os dados indicam que esse equilíbrio está longe de ser garantido.
Nos 17 países que reportam capacidade de transporte, dois terços (66%) dos projetos eólicos e solares de grande escala previstos até 2030 estão em risco de atraso ou cancelamento. Ao nível doméstico, as limitações das redes de distribuição podem impedir a instalação de 16 GW de painéis solares em telhados, afetando mais de 1,5 milhões de famílias em seis dos 13 países com dados disponíveis.
O problema estende-se ao investimento industrial. À medida que cresce a procura de eletricidade por parte de fábricas e centros de dados, os promotores tendem a privilegiar regiões com capacidade de ligação assegurada. Em três dos sete países que divulgam estes dados (Áustria, Bulgária e Roménia) essa capacidade é atualmente nula. Já a Chéquia apresenta margem significativa, com Bélgica e Letónia também em posição favorável.
Apesar do cenário, há sinais mistos na eletrificação doméstica. Em seis dos oito países analisados, as redes conseguem suportar a ligação de bombas de calor em até um terço das habitações. Polónia e Espanha surgem como exceções, com limitações consideráveis.
Perante este bloqueio, a Ember defende medidas imediatas para libertar capacidade nas redes sem necessidade de expansão física. Soluções alternativas, como a gestão inteligente da procura ou a otimização da infraestrutura existente, poderiam permitir a ligação de até 185 GW adicionais.
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