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Portugal e Espanha no epicentro do pior ano de incêndios da União Europeia
Fogos na Península Ibérica corresponderam a quase metade de toda a área ardida na UE. Ondas de calor antecipadas e mais intensas fizeram de 2025 o ano mais destrutivo desde que há registos.
31 Mar 2026 - 15:04
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Portugal e Espanha estiveram no centro da mais devastadora época de incêndios florestais alguma vez registada na União Europeia (UE), num ano em que o fogo consumiu mais de um milhão de hectares e expôs, com particular violência, a vulnerabilidade da Península Ibérica às alterações climáticas.
De acordo com dados do Centro Comum de Investigação (JRC), baseados no Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla inglesa), em 2025 arderam nos 27 Estados-membros 1.079.538 hectares, quase o dobro da média registada entre 2006 e 2024. Nunca, desde o início das medições sistemáticas, ardeu tanto território europeu.
A Península Ibérica destacou-se pela intensidade e simultaneidade dos fogos. Só nas primeiras três semanas de agosto, uma onda de calor prolongada desencadeou 22 grandes incêndios em Portugal e Espanha, quase ao mesmo tempo. No total, estes fogos consumiram 460.585 hectares, cerca de 43% de toda a área ardida na UE.
Até ao final de março, já mais de 100 mil hectares tinham sido destruídos pelo fogo no espaço comunitário. A partir de junho, a situação agravou-se progressivamente, atingindo o pico em agosto, quando temperaturas extremas e condições de seca criaram o cenário ideal para incêndios de grande dimensão, difíceis de controlar.
O retrato europeu é amplo, com 25 dos 27 Estados-membros a registarem incêndios (apenas Luxemburgo e Malta escaparam), mas os números revelam uma concentração preocupante no sul. Espanha, a par de países como Alemanha, Chipre e Eslováquia, atingiu máximos históricos de área ardida. Também as áreas protegidas não escaparam. Cerca de 39% da área ardida localizava-se em zonas da rede Natura 2000, o equivalente a mais de 424 mil hectares.
Para lá das fronteiras da UE, o cenário piora. Nos territórios monitorizados pelo EFFIS, que incluem países da Europa, Médio Oriente e Norte de África, arderam mais de 2,2 milhões de hectares. A Ucrânia destacou-se como o país mais afetado, concentrando quase 30% da área ardida total.
Os dados confirmam uma tendência já identificada pela ciência: as épocas de incêndios começam mais cedo, são mais longas e intensas. Portugal e Espanha surgem, neste contexto, como territórios particularmente expostos a esta realidade.
Perante este cenário, a Comissão Europeia aprovou, a 25 de março de 2026, uma nova abordagem integrada para a gestão do risco de incêndios, que aposta na prevenção, preparação, resposta e recuperação. O reforço do sistema EFFIS, incluindo dados quase em tempo real através do programa Copernicus Emergency Management Service, é uma das prioridades.
A longo prazo, a Comissão atribuiu recursos financeiros para a aquisição de 12 novos aviões de combate a incêndios, que ficarão baseados em Portugal, Espanha, França, Itália, Croácia e Grécia, e de 5 helicópteros, que ficarão na Eslováquia, na República Checa e na Roménia. Estas aeronaves vão constituir a frota permanente da rescEU. O primeiro helicóptero foi entregue no início deste ano, e os primeiros aviões serão entregues a partir de 2028.
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