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FAO aponta restauro das florestas como fundamental para alcançar objetivos climáticos, de biodiversidade e segurança alimentar

Relatório “Estado das Florestas do Mundo 2026” identifica a restauração como um investimento de elevado impacto, mas ação exige mais investimento, uma governação inclusiva e um compromisso político duradouro.

03 Out 2026 - 10:37

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A restauração das florestas e das paisagens é uma resposta eficaz em termos de custos aos desafios da segurança alimentar, biodiversidade, clima e desenvolvimento, segundo um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla inglesa), que alerta que o reforço da ação exigirá mais investimento, uma governação inclusiva e um compromisso político duradouro.

O relatório “Estado das Florestas do Mundo 2026” identifica quatro vias para acelerar os progressos, nomeadamente, capacitar as populações e reforçar os seus direitos; implementar a restauração à escala da paisagem; mobilizar financiamento e modelos empresariais que apoiem a restauração; e criar políticas, instituições e legislação coerentes.

“O Estado das Florestas do Mundo 2026 deixa claro que a restauração das florestas e das paisagens é mais do que uma prioridade ambiental – é um investimento estratégico em sistemas agroalimentares resilientes e no desenvolvimento rural”, assinala o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, no prefácio do relatório. Acrescentando que “a janela de oportunidade para agir está a fechar-se, e uma restauração tardia ou mal concebida aumentará os custos a longo prazo, agravará as desigualdades e poderá prender as paisagens a trajetórias insustentáveis”.

Restaurar gera retornos maiores que a inação

As florestas cobrem 4,14 mil milhões de hectares, cerca de 32% da superfície terrestre do planeta, armazenam 714 gigatoneladas de carbono e acolhem até 80% da biodiversidade terrestre mundial. São também fundamentais para sistemas agroalimentares resilientes, com quase um terço da população mundial a depender das florestas e das árvores para a segurança alimentar e os meios de subsistência.

No entanto, estima-se que 489 milhões de hectares de floresta tenham sido perdidos entre 1990 e 2025 devido à desflorestação, enquanto mais de 460 milhões de hectares estão degradados em todo o mundo. No total, 1,56 mil milhões de hectares de terra encontram-se degradados, devido ao crescimento da população, às alterações no uso dos solos e ao aumento da procura de recursos naturais, indica a FAO.

A organização salienta que as ameaças estão a intensificar-se e que a inação representa um encargo económico muito superior ao da restauração. Nomeadamente, a nível mundial, o impacto anual da ausência de restauração dos ecossistemas degradados é estimado entre cerca de 748 mil milhões e 5,36 biliões de euros, o equivalente a 2% a 8,3% do PIB anual, dependendo do âmbito da avaliação.

Por outro lado, a restauração de mais de 1 bilião de hectares de terras degradadas poderia gerar cerca de 1,53 biliões de euros por ano em benefícios, incluindo o reforço da biodiversidade, uma melhor regulação da água e solos mais saudáveis. O relatório indica ainda que um investimento de cerca de 2,21 biliões de euros ao longo de 15 anos na degradação dos solos e na mitigação da seca poderia gerar um retorno social de oito euros por cada euro investido. Em condições favoráveis, a restauração pode gerar até 30 euros de retorno por cada euro investido, acrescentando a FAO que os benefícios vão além dos rendimentos, abrangendo a melhoria do bem-estar, o reforço da coesão social e a preservação da identidade cultural e dos sistemas de conhecimento.

“Os anos que faltam até 2030 devem ser definidos por uma implementação de elevada qualidade – ampliando a restauração das florestas e das paisagens de forma centrada nas pessoas, baseada na ciência e apoiada por políticas coerentes. Estou confiante de que, através de uma ação coletiva e de um compromisso partilhado, podemos restaurar terras degradadas à escala e construir um futuro melhor para todos”, assinala o diretor-geral da FAO.

 

 

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