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Forno elétrico surge como alternativa ao gás natural na produção cerâmica espanhola
Perante dificuldades na importação de gás natural, setor tem procurado usar hidrogénio verde como combustível e, recentemente, fornos elétricos para a cozedura das peças.
06 Abr 2026 - 11:42
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Forno elétrico | Foto: Equipe Ceramicas
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Forno elétrico | Foto: Equipe Ceramicas
Os fabricantes espanhóis de azulejos, uma das indústrias nacionais que mais exporta, têm sido afetados pela sua dependêcia do gás natural para a produção, primeiro pela guerra na Ucrânia e, agora, pelo conflito que decorre no Médio Oriente. As associações do setor têm, por isso, procurado alternativas em duas tecnologias: o hidrogénio verde e o forno elétrico.
Segundo o jornal El Economista, sozinho, o setor consome 7% do gás natural queimado pela indústria espanhola, com cerca de 12,3 terawatts-hora por ano. Este recurso tem sido, até agora, essencial para cozer a cerâmica a mais de mil graus centígrados nos fornos dos fabricantes.
No entanto, a guerra na Ucrânia, que impactou as importações de gás natural, levou a um corte de quase um terço na produção espanhola em dois anos. Assim, para muitos empresários, substituir o gás tornou-se uma prioridade, onde, além dos objetivos de descarbonização ou das políticas ambientais, está também em jogo o seu próprio futuro.
Custo do hidrogénio em causa
A indústria tem questionado se a eletrificação tem a capacidade de atingir e manter o calor que os fornos precisam. Neste caso, o hidrogénio destaca-se pelo seu poder calorífico e garante as altas temperaturas necessárias para a cozedura de azulejos e esmaltes. Além disso, por se tratar também de um gás, é possível que as empresas não tenham de renovar os seus fornos.
Contudo, existe um impedimento na adoção do hidrogénio verde como principal alternativa: o seu preço. De acordo com os valores publicado pelo El Economista, este combustível custa 158 euros por megawatts-hora (MWh). É o triplo do valor do gás natural, que, após disparar devido à crise no estreito de Ormuz, ronda os 53 euros por MWh.
Segundo o Instituto Tecnológico de Cerâmica espanhol, as previsões de que o investimento em novas tecnologias iria reduzir os custos de produção desse combustível não se concretizaram. A associação patronal dos fabricantes, a Ascer, também não antecipa que o hidrogénio verde seja uma opção competitiva até 2050 e alerta que a sua produção se baseia na eletricidade renovável. Ou seja, para o transformar seria necessário triplicar o consumo energético do setor.
Forno duplica a eficiência
É aqui que entra o forno elétrico, valorizado pela sua maior eficiência na utilização direta e por não recorrer a essa conversão que implica um maior consumo. Segundo o El Economista, a primeira linha elétrica no país está em funcionamento há quase dois anos na fábrica de azulejos Equipe, em Onda, e já comprovou que mais do que duplica a eficiência do próprio gás natural.
No entanto, tal como o hidrogénio, mantém a desvantagem de o equipamento custar 25% mais do que os fornos a gás. No total, a fábrica de azulejos prevê um investimento de 10 milhões de euros, incluindo máquinas complementares como prensas e correias transportadoras.
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