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Governo aproveita cheias no Mondego para ressuscitar barragem de Girabolhos

Com dique a ceder em Coimbra e mais de 3.500 pessoas evacuadas, Governo determina o lançamento do concurso para um empreendimento de fins múltiplos que esteve suspenso desde 2016.

12 Fev 2026 - 10:01

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Ministra do Ambiente, Presidente da República, Primeiro-ministro, Presidente CMC | Foto: Município de Coimbra/Facebook

Ministra do Ambiente, Presidente da República, Primeiro-ministro, Presidente CMC | Foto: Município de Coimbra/Facebook

No mesmo dia em que um dos diques de proteção do Mondego não resistiu à força das águas e a margem direita do rio cedeu junto ao viaduto da A1, em Coimbra, o Governo decidiu relançar o Empreendimento de Fins Múltiplos de Girabolhos (EFMG). A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, assinou nesta quarta-feira um despacho que determina o lançamento do procedimento concursal para a construção e exploração da infraestrutura na bacia hidrográfica do Mondego, incumbindo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de promover esse lançamento até ao final de março.

O comunicado ministerial sublinha que a decisão “assume particular relevância no atual contexto de cheias na bacia do Mondego”, invocando a necessidade de “reforçar a regularização de caudais e a proteção de populações, atividades económicas e infraestruturas”. Nas últimas 48 horas, cerca de 3.600 pessoas foram retiradas das suas casas em Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure por risco de colapso dos diques, enquanto a rotura de um dique junto à ponte dos Casais provocou o corte integral da A1 nos dois sentidos. Parte do pavimento da que é a principal ligação rodoviária entre Lisboa e Porto acabou mesmo por ruir nesta madrugada.

Uma história de abandonos e ressurreições

O projeto de Girabolhos não é novo. Era um de dez novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançado pelo Governo de José Sócrates. Não chegou a ir para a frente, sendo cancelada em abril de 2016, quando já tinha sido concessionada à Endesa. A adjudicação provisória remontava a 2008, e os argumentos do então Governo para o cancelamento foram de natureza jurídica, financeira e de política energética, com os objetivos de descarbonização a terem sido utilizados para justificar a paragem.

Mangualde, Nelas, Gouveia e Seia, os quatro municípios afetados, receberam uma compensação de mais de 18 milhões de euros, que foram aplicados em obras de requalificação de estradas e de estações de tratamento de água.

Agora, a mesma infraestrutura está de volta ao plano de investimento público, desta vez embalada na estratégia nacional “Água que Une” e alinhada com o Plano Nacional de Energia e Clima 2030. A fonte do financiamento fica ainda por determinar.

Fins múltiplos, promessas múltiplas

O Governo apresenta o empreendimento como uma infraestrutura de fins múltiplos: controlo e mitigação de cheias, reforço do abastecimento público de água, produção de energia elétrica renovável, aumento da resiliência hídrica e valorização territorial do interior. “É uma barragem de bombagem, permite funcionar como uma bateria, acumulando energia para usar nos períodos em que não conseguimos suprir necessidades de geração de eletricidade com fontes renováveis, como solar ou vento. As barragens de bombagem são preciosas pois funcionam como baterias, são a forma mais barata de acumular energia”, descrevia em 2025 ao jornal Económico Nuno Ribeiro da Silva (gestor da Endesa na altura do cancelamento do projeto).

A barragem abrange os concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu, territórios de interior que a estratégia “Água que Une” diz pretender valorizar, mas que aguardam há anos por investimento estruturante.

O despacho desta quarta-feira não autoriza a construção, mas determina o lançamento do concurso. É uma etapa preparatória relevante, mas ainda distante de uma adjudicação. A APA fica incumbida de articular o procedimento com os municípios envolvidos e com entidades administrativas competentes nas áreas do abastecimento de água, energia, proteção civil, economia, agricultura, ordenamento do território, conservação da natureza e biodiversidade.

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