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Hidrogénio verde pode dominar 88,6% da produção de baixo carbono até 2030

Relatório da GlobalData aponta para uma inversão na produção mundial de hidrogénio, com a América a liderar o crescimento impulsionado por políticas estatais e incentivos fiscais.

22 Fev 2026 - 10:47

3 min leitura

Foto: Adobe Stock/jroballo

Foto: Adobe Stock/jroballo

A produção global de hidrogénio de baixo carbono está a atravessar uma transformação acelerada. Depois de anos de estagnação, a capacidade instalada chegou a 0,84 milhões de toneladas por ano (mtpa) em 2024, e as projeções para o final da década são ambiciosas: entre 42 e 65,3 mtpa até 2030, segundo um relatório publicado pela consultora GlobalData.

A principal mudança é a inversão da liderança entre os diferentes tipos de hidrogénio. Em 2024, o hidrogénio azul (produzido a partir de combustíveis fósseis com captura de carbono) dominava com uma quota de 76,3% da capacidade global de 1,7 mtpa. Até 2030, essa fatia deverá cair para apenas 11,3%. A GlobalData prevê que, em sentido inverso, o hidrogénio verde (obtido por eletrólise da água com recurso a energia renovável) deverá passar de 14,9% para 88,6% da produção total.

“O mercado de hidrogénio nas Américas cresceu significativamente nas últimas décadas, devido a iniciativas federais e estaduais nos EUA, esforços significativos no Canadá e políticas emergentes no México. Cada país da região abordou o desenvolvimento do hidrogénio com diferentes níveis de ambição e estratégia, resultando num mercado dinâmico e em rápida evolução”, evidenciou Attaurrahman Ojindaram Saibasan, analista de energia da GlobalData.

EUA de Biden como motor legislativo

Nos Estados Unidos, o enquadramento político para o hidrogénio tem raízes nos anos 2000, mas foi na passada administração norte-americana que ganhou maior tração. A Lei de Investimento em Infraestruturas e Emprego, aprovada em 2021, injetou financiamento significativo na produção e investigação de hidrogénio limpo. Em 2022, a Lei de Redução da Inflação reforçou os incentivos com créditos fiscais específicos para produtores. O mesmo ano viu a publicação da Estratégia Nacional de Hidrogénio Limpo, que colocava o hidrogénio no centro da ambição norte-americana de alcançar a neutralidade carbónica.

Saibasan explica que, a nível estadual, “as iniciativas são particularmente fortes na Califórnia, Nova Iorque e Massachusetts”. Adiciona que a Califórnia, por exemplo, “tem sido líder na promoção de veículos movidos a células de combustível de hidrogénio e no desenvolvimento de infraestruturas de reabastecimento, complementando os esforços federais”.

Canadá com visão exportadora, México ainda a arrancar

O Canadá divulgou a sua Estratégia de Hidrogénio em 2020, com ênfase na produção limpa e na exportação para mercados como a Europa e a Ásia. O orçamento do governo de 2023 reforçou esse compromisso com investimentos diretos em projetos do setor. Províncias como a Colúmbia Britânica, com acesso a energias renováveis, e o Quebec, com capacidade hidroelétrica, têm desenvolvido estratégias regionais complementares à visão estatal.

O México mantém-se numa fase ainda inicial, mas começa a explorar as suas vantagens geográficas e de recursos naturais para uma eventual inserção no mercado global de hidrogénio. Para os analistas da GlobalData, o crescimento previsto é promissor, mas não isento de desafios.

Saibasan conclui que, “embora a produção de hidrogénio com baixas emissões de carbono deva testemunhar um rápido crescimento nos próximos anos, será necessário aumentar a escala para reduzir custos, substituir o hidrogénio com altas emissões de carbono pelo hidrogénio com baixas emissões de carbono nas aplicações atuais e expandir o uso do hidrogénio para

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