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Indústria nacional quer infraestrutura integrada para captura e armazenamento de carbono
Proposta prevê a criação de uma rede de perto de 700 km de gasodutos ‘onshore’ e ‘offshore’, com um investimento estimado de 2 mil milhões de euros entre 2027 e 2056. Indústria teme que operar sem CCS poderá comprometer a sua competitividade a longo prazo.
23 Fev 2026 - 15:05
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Foto: cinea.ec.europa.eu
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Foto: cinea.ec.europa.eu
Criar uma infraestrutura nacional integrada de captura, transporte e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) é a proposta da indústria nacional para descarbonizar setores industriais ‘hard-to-abate’.
A solução passa por criar uma rede de aproximadamente 660 km de gasodutos ‘onshore’ e 25 km ‘offshore’, conectando aproximadamente 20 emissores industriais a um local de armazenamento geológico na bacia sedimentar lusitânica.
A capacidade de armazenamento prevista seria de 300 milhões de toneladas de CO₂, com potencial total estimado de cerca de 3 gigatoneladas de CO₂ na bacia lusitânica, o suficiente para suportar a descarbonização industrial durante várias décadas, segundo a análise realizada pela Associação Portuguesa de Cimento (ATIC) em colaboração com a BCG e outros parceiros da indústria e da academia.
Segundo a análise “Portugal’s Carbon Link – White Paper”, operar sem CCS poderá comprometer a competitividade e viabilidade da indústria nacional a longo prazo. Neste âmbito, é destacado que Portugal enfrenta uma “fase decisiva” na sua trajetória de descarbonização industrial, com o reforço do Sistema Europeu de Comércio de Licenças de Emissão (CELE) aliado ao aumento do preço do carbono e à redução acelerada das licenças disponíveis.
Perante esta pressão acrescida sobre setores industriais com emissões inevitáveis de CO₂, a CCS surge como uma “solução estruturante” para atingir a neutralidade carbónica e manter a competitividade industrial.
Investimento de 2 mil milhões de euros
O investimento estimado para a criação desta infraestrutura é de 2 mil milhões de euros, entre 2027 e 2056. Nomeadamente tendo em conta um custo de transporte e armazenamento projetado em cerca de 25 euros por tonelada de CO₂ armazenada em termos de infraestrutura, enquanto os emissores suportarão custos de captura entre 80 e 110 euros por tonelada de CO₂.
Apesar da implementação de CCS poder aumentar os custos de produção do cimento em 60 – 80%, o impacto final nos custos de construção permanece residual, entre 2 – 4%, garantindo a competitividade industrial e viabilidade financeira do projeto, defendem as entidades.
“A indústria portuguesa, e em particular a cimenteira, precisa de assegurar uma solução viável de descarbonização até 2040 que garanta a sua competitividade num contexto regulatório cada vez mais exigente. As alavancas tradicionais continuarão a ser fundamentais, mas, dada a natureza do processo produtivo, a captura e armazenamento de carbono deverá integrar esse percurso”, afirma Carlos Elavai, Managing director & partner da BCG em Lisboa.
Para viabilizar a infraestrutura, o relatório recomenda o modelo de Base de Ativos Regulatórios (BAR), ao assegurar previsibilidade financeira ao garantir retornos para os operadores através de tarifas reguladas, distribuindo simultaneamente os riscos de investimento entre entidades públicas e privadas.
A execução bem-sucedida depende também de um quadro regulatório claro e de mecanismos de financiamento público-privado, de forma a reduzir reduzir incertezas e desbloquear o investimento necessário, sublinham.
Além dos benefícios ambientais, a CCS nacional poderá gerar um impacto económico, direto e indireto, de 14 mil milhões de euros no PIB e criar até 7 mil empregos diretos até 2065.
A infraestrutura proposta não só apoia o setor cimenteiro, como poderá servir outros emissores industriais e contribuir para a transição de Portugal para uma economia de baixo carbono, consolidando a posição do país na economia europeia, defendem os proponentes.
“Sendo uma solução tecnicamente complexa, a CCS já está a ser desenvolvida em vários países europeus, criando um legado de aprendizagem que Portugal deve aproveitar. O passo seguinte passa por mobilizar os diferentes stakeholders e avançar para um projeto-piloto que permita testar o modelo, reduzir incertezas e criar confiança para uma decisão em escala”, acrescenta Carlos Elavai.
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