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Indústria solar dos EUA instala menos 14% de capacidade em 2025

Ainda assim, energia solar manteve-se como o principal motor de expansão da rede elétrica norte-americana, sustentada pela procura crescente de eletricidade, em particular para centros de dados.

10 Mar 2026 - 11:01

4 min leitura

Foto: Adobe Stock/Photocreo Bednarek

Foto: Adobe Stock/Photocreo Bednarek

Em 2025, o primeiro ano de mandato de Donald Trump, a indústria solar dos Estados Unidos da América instalou menos 14% de nova capacidade do que no ano anterior (43,2 gigawatts contra 50 em 2024). Apesar desta quebra, continuou a ser a principal fonte de nova geração elétrica do país pelo quinto ano consecutivo, ao representar 54% da energia adicionada à rede.

O relatório anual “US Solar Market Insight 2025 Year in Review”, divulgado pela Associação das Indústrias de Energia Solar (SEIA, na sigla inglesa) e pela consultora Wood Mackenzie, constata também que a percentagem subiu para 79% quando se combinou a solar com sistemas de armazenamento de energia.

A redução no ritmo de novas instalações foi sobretudo visível no segmento de grande escala. Os projetos solares de utilidade pública somaram 34,7 GW em 2025, menos 16% do que em 2024. No último trimestre do ano, a atividade caiu cerca de 40% em relação ao trimestre anterior, depois de alterações nos prazos de acesso a créditos fiscais e a dinâmica de isenção fiscal terem reduzido a pressão para ligar projetos à rede antes do final do ano.

Ainda assim, a diretora da área solar da Wood Mackenzie, Michelle Davis, acredita que “o forte crescimento da procura, combinado com os custos crescentes das novas centrais a gás, permitirá que a energia solar se mantenha competitiva, mesmo sem créditos fiscais”.

Não obstante o recuo do ano passado, a procura por energia solar continua a crescer, impulsionada sobretudo pelo aumento do consumo elétrico associado a centros de dados. “A energia solar e o armazenamento continuam a dominar as novas adições de capacidade à rede, apesar das pressões políticas”, evidencia o presidente interino da SEIA, Darren Van’t Hof. “Washington deve garantir a certeza política para que o mercado funcione e acompanhe a crescente procura de energia. Sem essa certeza, menos energia solar será produzida e os americanos pagarão o preço com contas de energia mais altas”, remata.

A análise prevê que os EUA adicionem cerca de 490 GW de nova capacidade solar até 2036. Se estas projeções se confirmarem, pode se dar um salto de 279 GW de capacidade total instalada em 2025 para cerca de 769 GW daqui a dez anos.

Estados republicanos lideram novas instalações

Mais de dois terços da nova capacidade solar instalada em 2025 foi construída em estados conquistados por Donald Trump nas eleições presidenciais, atesta o relatório. Texas liderou o crescimento, com 11 GW instalados num único ano, seguido do Indiana, Flórida, Arizona, Ohio, Utah e Arkansas.

No total, 11 estados registaram recordes anuais de novas instalações e 12 ultrapassaram a marca de 1 GW adicionado. No Indiana, por exemplo, a capacidade instalada quase duplicou, passando de 1,6 GW em 2024 para cerca de 3 GW em 2025.

Apesar das perspetivas de expansão, o relatório sublinha que o ritmo de crescimento dependerá de fatores políticos e regulatórios. Entre eles estão a aplicação de novas regras sobre entidades estrangeiras na cadeia de abastecimento, investigações comerciais sobre importações e a concessão de licenças para projetos em terrenos públicos e privados.

Trump assinou, em janeiro de 2025, ordens executivas nas quais declarou uma alegada “emergência energética nacional” e pôs fim ao Green New Deal. Em outubro, o Departamento de Energia (DOE) anunciou um corte de 7,56 mil milhões de dólares (cerca de 6,49 mil milhões de euros no câmbio atual) em financiamento destinado a projetos ligados ao clima. A decisão implicou o cancelamento de 321 apoios financeiros que sustentavam 223 iniciativas.

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