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Investigação espanhola cria dispositivo que gera eletricidade a partir do sol e da chuva

Uma película fina reveste nanogeradores que produzem eletricidade através do impacto de gotas de chuva e simultaneamente melhora a durabilidade das células fotovoltaicas. Tecnologia visa contornar limitações de produção em dias nublados.

26 Fev 2026 - 15:50

4 min leitura

Foto: iStock

Foto: iStock

Uma equipa do Instituto de Ciência dos Materiais de Sevilha (ICMS) desenvolveu um novo dispositivo híbrido capaz de captar energia do sol e da chuva em simultâneo. Trata-se de uma película fina, criada e patenteada pelos investigadores, que protege as células solares à base de perovskita ao mesmo tempo que também que permite que nanogeradores produzam mais de 100 volts a partir do impacto de uma única gota de água.

O ICMS explica que este sistema atua como encapsulante, protegendo quimicamente as células de perovskita e melhorando a sua capacidade de absorção de luz. Além disso, integra uma superfície triboelétrica (que gera carga elétrica por fricção ou contacto) que converte a energia cinética das gotas de chuva em corrente elétrica.

Os resultados demonstram a capacidade do novo material para gerar até 110 volts com o impacto de uma única gota de chuva, energia suficiente para alimentar um pequeno dispositivo portátil. Para além de ser escalável e produzido com recurso a técnicas sustentáveis, o revestimento evidenciou “notável estabilidade” em ambientes extremos, como a imersão em água, podendo alimentar continuamente dispositivos eletrónicos simples, como circuitos LED, e permitindo que os painéis solares resistam a condições ambientais associadas a ciclos de humidade e variações térmicas.

“O nosso trabalho propõe uma solução avançada que combina a tecnologia fotovoltaica de células solares de perovskita com nanogeradores triboelétricos numa configuração de filme fino, demonstrando assim a viabilidade de implementar ambos os sistemas de captação de energia”, explica Carmen López, investigadora do ICMS, em comunicado.

Combate às limitações dos dias nublados

Face às limitações das baterias convencionais e à perda de eficiência dos painéis solares em dias nublados, este avanço tecnológico visa oferecer uma solução inovadora baseada na simbiose entre sol e chuva.

O objetivo é proporcionar autonomia energética a dispositivos eletrónicos portáteis e sem fios, permitindo o seu funcionamento contínuo tanto em condições de sol como de chuva.

Os autores salientam que o dispositivo desenvolvido representa uma inovação significativa para a indústria da Internet das Coisas (IoT), nomeadamente em sensores ambientais (humidade, chuva, poluição), sensores estruturais (pontes, edifícios), estações meteorológicas ou aplicações de agricultura de precisão.

“A sua implementação nas chamadas cidades inteligentes é viável, por exemplo, em sinalização, iluminação auxiliar autónoma ou monitorização, uma vez que resiste a condições meteorológicas adversas e à presença de chuva, humidade e ciclos térmicos. Também poderá ser aplicado a estruturas de energia distribuída em áreas remotas, de difícil acesso ou isoladas, como estações marítimas”, destaca Fernando Núñez, investigador do ICMS.

O trabalho apresenta uma abordagem inovadora que abre novos caminhos para o desenvolvimento de sistemas eletrónicos autónomos e robustos para utilização no exterior.

Os investigadores indicam que, embora a tecnologia de silício seja a mais utilizada, a tecnologia de perovskita apresenta um elevado potencial para revolucionar a energia fotovoltaica devido à sua alta eficiência e baixo custo. No entanto, a sua degradação ou instabilidade em condições ambientais constitui uma das principais desvantagens. Para ultrapassar este desafio, a equipa do ICMS recorreu a tecnologia de plasma para criar e depositar uma película protetora com cerca de 100 nanómetros de espessura sobre as células solares.

 

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