4 min leitura
Investigador português lidera projeto europeu de 1,9 ME para combater pobreza energética no Mediterrâneo
João Pedro Gouveia vai coordenar criação de observatórios nacionais e centros regionais para apoiar famílias vulneráveis à pobreza energética no sul da Europa.
10 Mar 2026 - 15:25
4 min leitura
João Pedro Gouveia | Foto: Nova FCT
- Camiões elétricos podem ser até 2,5 vezes mais baratos do que os a gasóleo
- Bancos centrais africanos na linha da frente do impacto das alterações climáticas na economia
- RASI: Área ardida por incêndios rurais quase duplica em 2025
- A economia azul em Portugal não precisa de mais estratégia. Precisa de começar a escalar
- Governo anuncia linha de 600 ME para empresas com custos de energia acima de 20%
- Interdição do aterro de Vila Real “agrava a pressão” sobre sistema de resíduos
João Pedro Gouveia | Foto: Nova FCT
O investigador João Pedro Gouveia vai coordenar um novo esforço europeu para enfrentar uma das faces mais persistentes da desigualdade no sul da Europa: a incapacidade de milhares de famílias manterem as suas casas a uma temperatura digna. O projeto EP-MED (LIFE-CET_ENERPOV), financiado pelo programa LIFE da União Europeia, arranca com um orçamento de 1,9 milhões de euros e duração de três anos, reunindo 17 parceiros de cinco países.
A coordenação geral fica então a cargo de João Pedro Gouveia, o investigador principal do CENSE – Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Nova FCT). O consórcio integra universidades, centros de investigação, autoridades públicas e organizações da sociedade civil de Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Chipre.
A iniciativa pretende combater a pobreza energética, um problema estrutural que atravessa os países mediterrânicos. Muitas pessoas vivem em habitações mal isoladas, com rendimentos insuficientes para suportar os custos da energia, e acabam por enfrentar dificuldades tanto para aquecer as casas no inverno como para as arrefecer no verão. A consequência vai além do desconforto e tende a agravar problemas de saúde, fragiliza a qualidade de vida e aprofunda desigualdades sociais.
O projeto europeu aposta, por isso, numa estratégia institucional e territorial. Por um lado, pretende criar ou reforçar Observatórios Nacionais de Pobreza Energética em Portugal, Espanha, Itália e Chipre, estruturas destinadas a recolher dados, monitorizar a situação e apoiar a definição de políticas públicas. Por outro, prevê a criação de Centros Regionais em municípios particularmente vulneráveis, com o objetivo de apoiar diretamente as famílias e melhorar a coordenação entre entidades públicas e privadas.
O EP-MED parte do princípio de que a pobreza energética não é apenas um problema do setor da energia. A resposta passa por aproximar áreas que raramente trabalham em conjunto, como saúde, habitação, ação social e energia, e construir políticas mais integradas.
O projeto quer também olhar para dimensões menos discutidas deste fenómeno. Num contexto de aquecimento global, a incapacidade de manter as casas frescas durante o verão começa a tornar-se tão relevante quanto a dificuldade em aquecê-las no inverno, sobretudo nos países do Mediterrâneo. As regiões insulares da União Europeia, frequentemente confrontadas com custos energéticos mais elevados e infraestruturas limitadas, serão igualmente objeto de análise específica.
Para João Pedro Gouveia, a chave está na articulação entre conhecimento científico e decisão política. “É fundamental reforçar a coordenação entre políticas públicas e conhecimento científico para dar respostas eficazes às famílias mais vulneráveis. O EP-MED permitirá estruturar redes e instrumentos de monitorização que assegurem impactos duradouros no combate à pobreza energética”, esclarece o investigador.
Entre os resultados esperados estão o reforço das capacidades institucionais dos países envolvidos, a troca de boas práticas entre Estados-membros e a formulação de recomendações políticas baseadas em evidência científica. O consórcio prevê ainda estabelecer parcerias formais com decisores públicos para garantir que os instrumentos criados não terminam com o projeto. A ambição é que o modelo desenvolvido possa ser replicado noutras regiões da União Europeia.
- Camiões elétricos podem ser até 2,5 vezes mais baratos do que os a gasóleo
- Bancos centrais africanos na linha da frente do impacto das alterações climáticas na economia
- RASI: Área ardida por incêndios rurais quase duplica em 2025
- A economia azul em Portugal não precisa de mais estratégia. Precisa de começar a escalar
- Governo anuncia linha de 600 ME para empresas com custos de energia acima de 20%
- Interdição do aterro de Vila Real “agrava a pressão” sobre sistema de resíduos