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“Marcha Contra as Máquinas”: britânicos protestam contra expansão dos centros de dados para IA

Organizações ambientalistas alertam que construção em larga escala de centros de dados ameaça as metas climáticas do Reino Unido. Estão planeados para o país mais de 100 novos centros de dados.

27 Fev 2026 - 13:14

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Manifestantes da Global Action Plan | Foto: Instagram

Manifestantes da Global Action Plan | Foto: Instagram

Nesta sexta-feira e sábado, ativistas britânicos saem às ruas para se opor, pela primeira vez, à expansão de centros de dados para o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) generativa por parte das grandes tecnológicas no Reino Unido. A organização ambientalista Global Action Plan, responsável por invocar os protestos, diz que a construção em grande escala destas instalações coloca em risco as metas climáticas do país, devido ao elevado consumo de água e energia que requerem.

“A construção descontrolada de centros de dados de IA em hiperescala pelas grandes empresas tecnológicas está a colocar em risco as metas climáticas do Reino Unido”, reiterou o diretor de campanhas da Global Action Plan, Oliver Hayes, num comunicado enviado à Reuters.

Entre os maiores eventos está previsto o “March Against The Machines” (Marcha Contra as Máquinas), que terá início no sábado, ao meio-dia, em frente aos escritórios da OpenAI, empresa norte-americana que desenvolve o ChatGPT.

A Global Action Plan estima que estejam planeados mais de 100 novos centros de dados por todo o território britânico e refere que cada instalação consome eletricidade equivalente a 100 mil habitações. A empresa Thames Water diz que um único centro de dados necessita até 19 milhões litros de água por dia.

Embora não exista uma definição formal do que é um centro de dados no país ou quantos existem, um relatório da techUK de novembro de 2024, estima que sejam cerca de 450. Ademais, conforme adianta a Reuters, o regulador britânico de energia divulgou que 140 centros de dados sinalizaram que queriam ligar-se à rede e poderiam necessitar de 50 gigawatts de energia. O pico da procura de eletricidade britânica em 11 de fevereiro foi de 45 GW, indicou, em comparação.

A OpenAI prometeu, em janeiro, criar planos comunitários para cada um dos territórios abrangidos pela operação Stargate, uma iniciativa avaliada em 500 mil milhões de dólares destinada à construção de centros de dados para treino e inferência de IA. Mas à medida que a pressão por energia elétrica se intensifica e os centros de dados se multiplicam, as populações locais começam a fazer ouvir a sua voz.

O acesso à energia tornou-se uma das principais restrições ao crescimento da IA, levando as grandes tecnológicas a investir diretamente em infraestruturas energéticas para sustentar a expansão. É neste contexto que surgem os primeiros focos de resistência.

Em Havering, no leste de Londres, o coordenador da Friends of the Earth Havering, Ian Pirie, classifica à Reuters os projetos de construção na zona como “completamente inadequados numa área semi-rural do Cinturão Verde”, apontando o consumo excessivo de energia e água e a destruição de terrenos agrícolas como motivos de preocupação.

Em Buckinghamshire, o copresidente da Iver Heath Residents Association, Leigh Tugwood, vai mais longe: alerta para o risco de o desenvolvimento acelerado deste tipo de infraestruturas estar a ser feito à custa das comunidades locais, sem o devido escrutínio ou participação pública.

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