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Montenegro diz que a atual crise energética reflete o efeito “penalizador” dos atrasos nas interconexões
Na reunião do Conselho Europeu, o primeiro-ministro disse que a UE “desperdiçou muita dessa capacidade precisamente porque não está ligada”.
20 Mar 2026 - 11:10
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Luís Montenegro em Bruxelas | Foto: Conselho Europeu
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Luís Montenegro em Bruxelas | Foto: Conselho Europeu
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse nesta quinta-feira que a atual crise de preços na energia causada pelo conflito no Médio Oriente reflete o efeito “penalizador” dos atrasos na concretização de iniciativas como reforço das interconexões energéticas.
“Se há altura onde nós percebemos que o adiamento da execução de algumas decisões como esta das interconexões – e não é apenas a interconexão ibérica porque há outras no território da União Europeia -, […] é penalizador para todos nós é a altura que estamos a viver”, afirmou Luís Montenegro, falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas no final de um Conselho Europeu.
No final de uma reunião dos chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) que durou mais de 12 horas e dominada pelos elevados preços energéticos, o primeiro-ministro apontou que “os calendários têm vindo a ser sucessivamente ultrapassados, mas o nível de comprometimento […] nunca foi tão alto por parte dos Estados-membros e nunca foi tão alto por parte da Comissão”.
“Se nós tivéssemos hoje maior capacidade de utilizar, nomeadamente a energia elétrica, nós estaríamos menos dependentes dos combustíveis fósseis que alimentam grande parte da capacidade industrial da Europa e de vários Estados-membros e nós não podemos fazê-lo”, apontou.
De acordo com Luís Montenegro, a UE “desperdiçou muita dessa capacidade precisamente porque não está ligada”.
“Evidentemente que não é apenas isso. Esse é apenas um, mais um, dos instrumentos que temos para ter um mercado energético na Europa que seja robusto, resiliente e que possa ter um preço mais acessível, mas eu estou a crer que, com aquilo que foi assumido, com a inclusão que é inevitável nos próximos fundos e nos próximos instrumentos de financiamento, precisamente destes investimentos, que vamos conseguir chegar a bom porto e que vamos conseguir, para além das interconexões, fazer o reforço das redes internas, que foi uma matéria que também esteve em cima da mesa”, adiantou o chefe de Governo.
O território ibérico tem uma conectividade abaixo dos 3% com o resto da União. O Governo português tem vindo a defender um aumento da interligação energética de Portugal com o resto da UE para 15% até 2030, através da construção de mais interligações.
A UE estabeleceu precisamente um objetivo de interconexão de, pelo menos, 15% até 2030.
O reforço das interligações energéticas entre Portugal e Espanha e a UE tem vindo a ser discutido há vários anos, mas devido ao ceticismo de França isso nunca avançou totalmente, apesar de ser importante para aumentar a segurança energética, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, diminuir os custos e facilitar a transição para as energias renováveis.
O Conselho Europeu reuniu-se nesta quinta-feira em Bruxelas para discutir como é que a UE pode conter os impactos da escalada militar no Médio Oriente dados os elevados preços da energia, garantindo também segurança no abastecimento energético. Este foi o primeiro encontro presencial de alto nível desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e da consequente resposta iraniana, no final de fevereiro.
A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços do petróleo e do gás e a afetar a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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