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Políticas energéticas multiplicam-se impulsionadas por sucessivos choques globais
Despesa pública mais do que duplicou desde 2019 em matéria de segurança energética, com governos a gastaram mais de 345 mil milhões de euros em 2025. Maioria do investimento serviu redes elétricas, renováveis e substituição de combustíveis.
11 Abr 2026 - 10:25
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A última meia década de crises globais desencadeou um período “excecionalmente ativo” na formulação de políticas energéticas, com os governos a aumentarem a despesa pública e a reforçarem medidas de segurança e resiliência. A conclusão é de um novo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado nesta semana.
O documento, “Estado da Política Energética 2026”, analisa mais de 6.500 medidas adotadas em 84 países ao longo de 2025, cobrindo áreas que vão do apoio ao consumidor à regulação, passando pelo acesso à energia e compromissos climáticos. Trata-se, segundo a AIE, da primeira avaliação global desta escala.
Um dos dados mais relevantes é o aumento expressivo da despesa pública, com os governos a gastarem mais de 345 mil milhões de euros em energia em 2025, mais do dobro do registado em 2019. A maior parte deste investimento foi canalizada para infraestruturas energéticas, energias renováveis, eficiência energética e incentivos à substituição de combustíveis.
Este reforço financeiro surge na sequência de choques como a pandemia de Covid-19 e a crise energética de 2022, associada à invasão da Ucrânia pela Rússia. Nesse ano, os governos gastaram cerca de 187 mil milhões de euros para apoiar os consumidores, mas apenas um quarto desse montante foi direcionado às famílias mais vulneráveis, aumentando o peso orçamental das medidas.
A crise de 2022 levou também a mudanças determinantes, nomeadamente na resposta a emergências relacionadas com reservas de gás natural. Cerca de 30 países, responsáveis por mais de 40% das importações globais, passaram a exigir maior capacidade de armazenamento.
O relatório destaca ainda uma crescente preocupação com novos riscos, em particular a concentração das cadeias de fornecimento de minerais críticos e tecnologias energéticas. Um terço das políticas relacionadas com estes recursos foi criado nos últimos cinco anos, muitas em resposta ao aumento de restrições à exportação.
Apesar do dinamismo regulatório, a AIE identifica sinais contraditórios. Em 2025, 15 países reforçaram normas de eficiência energética, mas houve também recuos e adiamentos, sobretudo no transporte rodoviário, que podem provocar eventuais oscilações e expor famílias e empresas a uma maior volatilidade de preços.
A atual crise energética, alimentada pelo conflito no Médio Oriente, poderá, segundo a agência, desencadear uma nova fase de políticas públicas, comparável às respostas às crises petrolíferas da década de 1970.
“Os governos procuram proteger consumidores e garantir o abastecimento, mas têm de evitar que respostas de curto prazo comprometam objetivos de longo prazo”, alertou Laura Cozzi, diretora de Sustentabilidade e Tecnologia da AIE. “As decisões tomadas hoje terão impactos duradouros no futuro dos sistemas energéticos”.
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