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Portugal pede apoio à UE para modernizar redes elétricas após tempestade Kristin

Ministra do Ambiente quer enterrar mais linhas para aumentar resiliência. Governo está ainda a calcular danos para poder recorrer a financiamento europeu.

02 Fev 2026 - 14:29

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Maria da Graça Carvalho e Dan Jørgensen | Foto: Sara Matos / MAEN

Maria da Graça Carvalho e Dan Jørgensen | Foto: Sara Matos / MAEN

Cinco dias após a passagem da tempestade Kristin, ainda há 177 mil pessoas sem eletricidade em Portugal, mais de 100 mil concentrados apenas na região de Leiria. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, esteve reunida nesta segunda-feira com o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, para discutir a resposta à catástrofe e a modernização das infraestruturas energéticas portuguesas.

“Vivemos uma época de eventos extremos, num contexto de alterações climáticas, que são cada vez mais frequentes”, salientou a ministra, defendendo que Portugal precisa de repensar as suas estruturas elétricas. Uma das soluções passa por enterrar mais linhas de distribuição, sendo que atualmente apenas cerca de 20% da rede portuguesa é subterrânea, contra mais de 40% em países como Itália e Espanha.

O problema é o custo. “Estas linhas são muito mais caras”, reconheceu Maria da Graça Carvalho, alertando que a fatura será paga “ou pelo consumidor, ou pelo contribuinte”. A ministra defendeu que a União Europeia deve considerar “a questão dos países periféricos, como é o caso de Portugal”, no financiamento desta resiliência.

Fundos europeus em cima da mesa

O governo está a contabilizar os danos causados pela depressão Kristin para acionar o Fundo de Solidariedade da União Europeia, que exige prejuízos mínimos de 1,6 mil milhões de euros. A ministra garantiu que esse valor poderá ser atingido e que a utilização do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “está a ser tratada pelos canais de mobilização com o Ministério da Economia”, que deverá anunciar em breve as soluções de apoio.

Dan Jørgensen mostrou disponibilidade para apoiar Portugal, mas advertiu que é cedo para dizer como se concretizará esse apoio. “O governo está a avaliar os danos e de quanto precisa. Agora vamos começar as negociações”, garantiu o comissário, que visitou zonas afetadas e transmitiu a solidariedade da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Autoconsumo como solução

Para dar autonomia aos consumidores em zonas remotas, o governo prepara um programa de minigeração fotovoltaica, potencialmente financiado pelo Fundo Ambiental ou pelo PRR. Funcionará sob um modelo de voucher, semelhante ao programa do E-lar, que permitirá instalar painéis solares com pequenas baterias em residências.

A E-Redes distribuiu nesta segunda-feira mais 200 geradores, somando-se aos esforços de mais de mil técnicos no terreno. “A questão da água está praticamente resolvida, graças aos geradores”, anunciou ainda a ministra, referindo-se ao restabelecimento das instalações de abastecimento.

Cheias controladas e risco no Mondego

O governo iniciou há três semanas descargas preventivas nas barragens, em cooperação com Espanha, para evitar cheias descontroladas. “Estamos à espera nas próximas duas semanas de um conjunto de chuvas nunca antes visto”, alertou Maria da Graça Carvalho, explicando que o degelo provocado pela subida de temperatura agrava o cenário.

A principal preocupação é o rio Mondego, controlado por diques e sujeito a cheias rápidas. Quando o caudal atingir 1.900 metros cúbicos por segundo – atualmente está nos 900 – será acionado um sistema para retirar pessoas das zonas baixas de Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.

Pressão sobre França e interligações energéticas

A ministra aproveitou o encontro para pressionar o cumprimento das regras europeias nas interligações energéticas. Portugal e Espanha queixaram-se formalmente à Comissão de que França não está a cumprir as obrigações de ligação da Península Ibérica ao resto da Europa.

“Não fazer estas ligações vai contra o mercado interno europeu”, declarou, revelando que o governo francês já retomou projetos e obteve financiamento do Banco Europeu de Investimento. Dan Jørgensen confirmou planos para “autoestradas energéticas” que melhorem a conexão da Península Ibérica à Europa.

O comissário também saudou a proibição de gás russo na Europa, considerando-a “uma decisão muito positiva, que significa que a Rússia não poderá continuar a chantagear os Estados-membros”.

 

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