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Portugal precisa de investir o dobro para se proteger contra fenómenos meteorológicos extremos

Segundo um novo estudo do instituo McKinsey, país investe atualmente cerca de 171 milhões de euros por ano em medidas de adaptação às alterações climáticas, "um valor que corresponde apenas a 43% do investimento necessário".

02 Fev 2026 - 18:00

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Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, com o comissário europeu da Energia | Foto: Sara Matos / MAEN

Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, com o comissário europeu da Energia | Foto: Sara Matos / MAEN

“Portugal investe cerca de 200 milhões de dólares (171 milhões de euros) por ano em medidas de adaptação às alterações climáticas, um valor que corresponde apenas a 43% do investimento necessário para proteger o país dos impactos dos fenómenos meteorológicos extremos aos padrões das economias desenvolvidas”, concluiu o McKinsey Global Institute (MGI), no estudo ‘Advancing adaptation: Mapping costs from cooling to coastal defenses”.

Ainda assim, conforme apontou, em comunicado, o montante investido por Portugal está 10 pontos percentuais acima da média global.

Um quarto do país está atualmente exposto a riscos climáticos, como cheias, incêndios florestais e seca, o que abrange cerca de 7% da população portuguesa.

Segundo esta análise, 22% da linha costeira está protegida nas zonas expostas a cheias e 30% das linhas elétricas encontram-se enterradas em áreas de risco de incêndio.

Num cenário de aquecimento global de 1,5º C previsto para 2030, cerca de 95% da população poderá estar exposta a riscos climáticos.

Esta percentagem sobe para 96%, em 2050, num cenário de aquecimento global de 2ºC.

“Para responder a este nível de exposição, o custo atual de adaptação em Portugal poderá aumentar para cerca de 2.000 milhões de dólares (cerca de 1.700 milhões de euros) por ano até 2050, o equivalente a dez vezes o investimento atual”, alertou o instituto.

Grande parte (68%) deste valor está relacionada com a adaptação a ondas de calor e seca.

Mesmo que os níveis de proteção fiquem inalterados, o investimento de Portugal cobrira pouco mais de metade (52%) das necessidades futuras.

Este estudo tem por base uma análise geoespacial e a avaliação de 20 medidas de adaptação, como soluções de arrefecimento e irrigação e infraestruturas de proteção.

A nível global, são investidos cerca de 190.000 milhões de dólares (160.315 milhões de euros) anuais na adaptação climática para proteger 1.200 milhões de pessoas.

Contudo, hoje vivem expostas a riscos climáticos 4.100 milhões de pessoas, o que implicaria um investimento anual de 540.000 milhões de dólares (cerca de 456.000 milhões de euros).

Tendo em conta o mesmo cenário de aquecimento de 2ºC até 2050, os custos de adaptação podem atingir os 1,2 biliões de dólares por ano, seis vezes acima do atual investimento.

Fundado em 1990, o MGI produz investigações e análises independentes, ou seja, não são encomendadas ou financiadas por empresas, governos ou instituições.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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