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Procura global de eletricidade acelera e renováveis ultrapassam carvão até 2030
Relatório da Agência Internacional da Energia antecipa crescimento anual superior a 3,5% na procura de energia e pressiona redes elétricas, investimento e políticas públicas numa “Era da Eletricidade”.
07 Fev 2026 - 10:30
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A procura global de energia deverá crescer, em média, mais de 3,5% ao ano até ao final da década, com a eletricidade a assumir um papel central nesse aumento, segundo o relatório “Electricity 2026”, publicado nesta sexta-feira pela Agência Internacional da Energia (AIE). A produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, gás natural e energia nuclear deverá expandir-se para acompanhar esse ritmo, enquanto as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) do setor elétrico se mantêm praticamente estáveis até 2030.
De acordo com a AIE, a procura de eletricidade deverá crescer pelo menos 2,5 vezes mais rapidamente do que a procura global de energia até 2030, à medida que se consolida aquilo que o relatório designa como a “Era da Eletricidade”. Este crescimento é impulsionado pelo aumento do consumo industrial, pela disseminação dos veículos elétricos, pelo maior uso de ar condicionado e pela rápida expansão dos centros de dados e da inteligência artificial.
Embora as economias emergentes e em desenvolvimento continuem a liderar o aumento da procura, as economias avançadas regressam ao crescimento após cerca de 15 anos de estagnação, passando a representar cerca de um quinto do acréscimo total da procura global de energia até ao final da década.
No lado da oferta, a AIE conclui que a produção mundial de eletricidade a partir de fontes renováveis, impulsionada por níveis recorde de instalação de energia solar fotovoltaica, está em vias de ultrapassar a produção a carvão. Em 2025, ambas terão praticamente atingido o mesmo nível, e a tendência aponta para um declínio gradual do carvão, que deverá regressar aos níveis de 2021 até 2030. A produção nuclear atingiu também um novo máximo histórico e, em conjunto, as renováveis e a energia nuclear deverão assegurar cerca de 50% da eletricidade global em 2030, face a 42% atualmente.
A produção a gás natural continuará a crescer, apoiada sobretudo pelo aumento da procura nos Estados Unidos e pela transição do petróleo para o gás na produção de eletricidade no Médio Oriente. Apesar destas mudanças na matriz energética, as emissões globais de CO2 associadas à eletricidade deverão permanecer praticamente estáveis ao longo da década, refletindo a substituição gradual de fontes mais intensivas em carbono.
Aumenta pressão sobre redes elétricas
O relatório sublinha, contudo, que a combinação de procura crescente, maior dependência de fontes variáveis e novos padrões de consumo coloca forte pressão sobre as redes elétricas. Atualmente, mais de 2.500 gigawatts de projetos (incluindo renováveis, armazenamento e grandes cargas como centros de dados) estão bloqueados em filas de ligação à rede em todo o mundo. Segundo a AIE, reformas regulatórias, tecnologias de melhoria da rede e regras mais flexíveis de acesso poderiam permitir a integração rápida de até 1.600 gigawatts dessa capacidade.
“Numa altura de grande incerteza nos mercados de energia, uma certeza é que a procura global de eletricidade está a crescer muito mais fortemente do que na última década”, evidenciou o diretor de Mercados e Segurança Energética da AIE, Keisuke Sadamori. Adicionou que, para responder a esta procura, “será necessário aumentar em 50% o investimento anual em redes até 2030”, bem como reforçar a flexibilidade, a segurança e a resiliência dos sistemas.
A expansão do armazenamento em baterias surge como um dos principais instrumentos de flexibilidade a curto prazo. Mercados como a Califórnia, Texas (EUA), Alemanha, Austrália Meridional e Reino Unido registaram um crescimento significativo da capacidade de baterias em escala comercial nos últimos anos.
A AIE alerta ainda para o agravamento das preocupações com a acessibilidade da eletricidade. Em muitos países, os preços domésticos aumentaram mais rapidamente do que os rendimentos desde 2019, pressionando famílias, indústrias e empresas. Em resposta, os decisores políticos têm procurado modelos de mercado e enquadramentos regulatórios que promovam não apenas mais investimento, mas também maior eficiência e flexibilidade em todo o sistema energético, explica o relatório.
Por fim, a análise chama a atenção para riscos crescentes associados ao envelhecimento das infraestruturas, a eventos climáticos extremos e a ameaças cibernéticas. Reforçar a proteção física, modernizar a operação dos sistemas elétricos e investir na resiliência tornam-se, segundo a AIE, condições essenciais para sustentar a transição energética numa década marcada por forte crescimento da eletricidade.
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