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Quase metade dos países mais vulneráveis ao clima já ultrapassa os EUA na energia solar
Choque petrolífero após ataques ao Irão expõe fragilidade dos combustíveis fósseis e acelera transição energética nos países do Sul global, adianta estudo da Ember.
02 Abr 2026 - 07:45
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Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão voltaram a agitar os mercados energéticos globais, fazendo disparar o preço do petróleo e pressionando as economias mais frágeis. Mas, enquanto o choque se faz sentir, um novo relatório do think tank energético Ember revela que muitos dos países mais vulneráveis ao clima já avançam mais depressa do que os Estados Unidos na adoção de energia solar.
Segundo o estudo, quase metade dos 74 países que integram o Fórum de Vulnerabilidade Climática e o grupo de ministros das Finanças V20, que representam cerca de 1,7 mil milhões de pessoas, já superaram os EUA na integração de energia solar.
Nestes países, sobretudo de África, Ásia e América Latina, a via fóssil deixou de ser apenas ambientalmente problemática e tornou-se também mais lenta e mais cara. A queda acentuada dos custos das tecnologias limpas, entre 30% e 95% na última década, transformou a equação económica. A energia solar, em particular, apresenta agora custos iniciais inferiores aos da produção elétrica a partir de combustíveis fósseis.
Em oito em cada dez países analisados pela Ember, as importações de painéis solares desde 2017 são pelo menos três vezes superiores à capacidade oficialmente instalada, sinal de uma expansão descentralizada que escapa às estatísticas. Sistemas fora da rede, muitas vezes mais rápidos e baratos de implementar em zonas remotas, estão a acelerar o acesso à eletricidade.
A Namíbia já obtém 35% da sua eletricidade de fontes solares, o Togo 18%, enquanto o Nepal e o Sri Lanka registam quotas de 70% e 64% na venda de veículos elétricos, respetivamente. Em mercados como a Jordânia ou o Quirguistão, as baterias ganham terreno.
“A economia da energia mudou radicalmente”, constata o diretor da Ember. Daan Walter, citado em comunicado, descreve: “A queda dos custos da energia solar e das baterias não se limita a tornar os combustíveis fósseis menos competitivos; começa a ter em conta os mil milhões de pessoas que o sistema baseado nos combustíveis fósseis deixou para trás”.
Em 2024, os países do grupo CVF-V20 gastaram 155 mil milhões de dólares em importações líquidas de combustíveis fósseis, um peso significativo nas finanças públicas. Caso o petróleo se mantenha nos 100 dólares por barril, a fatura poderá aumentar em mais de 30 mil milhões.
Em 19 destes países, as importações de energia representam mais de metade do défice comercial. Marrocos lidera, com 79%, seguido do Paquistão (67%) e do Bangladesh (59%). A dependência externa expõe estas economias a choques de preços que não controlam.
Ao mesmo tempo, cerca de mil milhões de pessoas continuam sem acesso fiável à eletricidade. “A expansão do acesso à eletricidade oferece uma alternativa direta ao uso tradicional da biomassa, sem condenar as economias a uma dependência a longo prazo dos combustíveis fósseis e à volatilidade de preços que esta acarreta”, explica a Ember.
Para Sara Jane Ahmed, do secretariado CVF-V20, a antiga dicotomia entre desenvolvimento e clima perdeu sentido: “Os países vulneráveis estão a liderar uma rápida transição para as energias limpas, ultrapassando os combustíveis fósseis e até mesmo as nações mais ricas. A expansão da energia solar e da eletrificação está a reduzir a dependência das importações, a reforçar a segurança energética e a proteger as economias dos choques de preços a nível global”.
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