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Balanço Energético Global 2025: Solar e eólica superam pela primeira vez a procura mundial de eletricidade

Relatório de fim de ano da Ember mostra que energia limpa assumiu comando do sistema energético global, com renováveis a gerar mais eletricidade que o carvão num período sustentado.

24 Dez 2025 - 16:30

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Foto: Adobe stock/InfiniteFlow

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O sistema energético mundial atingiu um ponto de viragem em 2025. Pela primeira vez num período prolongado, as energias solar e eólica não só responderam a toda a nova procura de eletricidade como a ultrapassaram, sinalizando uma inversão definitiva na arquitetura energética global. Os dados dos três primeiros trimestres do ano, divulgados pela Ember em novembro, mostram que estas fontes renováveis representam agora 17,6% da eletricidade mundial, face aos 15,2% do período homólogo de 2024.

As renováveis no seu conjunto – solar, eólica, hídrica e outras menores como a geotérmica – geraram pela primeira vez mais eletricidade do que o carvão num período sustentado, revela a think thank no seu relatório de fim de ano. A solar lidera esta transformação, com um crescimento três vezes superior a qualquer outra fonte em 2025. As projeções da Ember indicam que o mundo adicionará 793 GW de capacidade renovável este ano, um aumento de 11% face aos 717 GW de 2024. A este ritmo, “bastará um aumento modesto nas adições anuais para que o mundo se mantenha no caminho certo para triplicar a capacidade global de energias renováveis ​​até 2030”, salienta a entidade.

A geografia desta mudança está a reconfigurar-se. A energia solar ganhou tração em mercados até agora periféricos, desde a Europa Central a África, onde as importações de painéis chineses aumentaram 60% nos 12 meses até junho de 2025. Países como a Argélia (aumento de 33 vezes), Zâmbia (oito vezes) e Botsuana (sete vezes) registaram saltos dramáticos. Na Europa Central, a Hungria gerou mais de 40% da sua eletricidade a partir das fontes solares em junho, enquanto a Polónia e a República Checa alcançaram recordes mensais de produção.

BRICS concentram mais de metade da produção solar

Os países do BRICS controlam agora mais de metade da geração solar mundial: 51%, contra apenas 15% há uma década. A Ember realça que este deslocamento do centro energético é visível na emergência da China como o primeiro “eletroestado” do mundo, responsável por metade das instalações globais de painéis solares, 60% das vendas de veículos elétricos e dois terços do crescimento da procura de eletricidade desde 2019. No primeiro semestre de 2025, a procura chinesa de combustíveis fósseis na produção elétrica caiu 2%.

A descida abrupta nos custos das baterias está a eliminar a principal limitação da energia solar. Em regiões de alta insolação, a solar combinada com armazenamento pode agora fornecer eletricidade 24 horas por dia a cerca de 104 dólares por MWh, valor que supera o carvão e o nuclear. No México, esta mudança poderá libertar gigawatts de nova capacidade solar e reduzir as importações de gás, com poupanças estimadas em 1,6 mil milhões de dólares anuais. Na Índia, grandes consumidores industriais conseguem já satisfazer até 80% das necessidades de eletricidade com uma combinação de solar, eólica e armazenamento, muitas vezes mais barata que o fornecimento a carvão.

O impacto nos mercados é cada vez mais estrutural. Em Espanha, a expansão de solar e eólica reduziu o poder de fixação de preços dos geradores fósseis em 75% desde 2019. O Reino Unido ultrapassou em setembro o limiar de 50% de eletricidade gerada por estas fontes. No Brasil, representaram mais de um terço da produção em agosto, um recorde para o país. Na União Europeia, a solar tornou-se a maior fonte de energia em junho.

IA e centros de dados intensificam a corrida pela eletricidade

A corrida pela inteligência artificial (IA) e pelos centros de dados acrescentou uma nova dimensão ao cenário de 2025. Na região da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN, os centros de dados podem representar entre 2% e 30% da procura nacional de eletricidade até 2030, aponta a Ember. Por sua vez, na Europa, o congestionamento das redes em Frankfurt, Londres e Dublin criou filas de ligação de sete a dez anos, desviando investimentos para regiões com maior capacidade renovável disponível.

Para a think thank “a mensagem é clara: a corrida pela IA agora é uma corrida pela eletricidade e pelas redes elétricas. Os países que expandirem as energias renováveis ​​e acelerarem as atualizações das redes serão os que capturarão a próxima onda de crescimento econômico digital”.

“Em 2026, o desafio será transformar esse ímpeto numa transformação sistémica”, adiciona a Ember, ao referir que “os países que expandirem o armazenamento de energia, solucionarem os problemas da rede, definirem metas mais ambiciosas e capacitarem os mercados para integrar energias renováveis ​​moldarão a próxima fase da liderança global”.

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